Quinta-feira, 03 de Abril de 2025

Comandante da Polícia Ambiental de PG detalha ações realizadas na região no ‘Manhã Total’

Comandante do Pelotão Ambiental detalha ações contra desmatamento, tráfico de animais e crimes na região
2025-04-02 às 12:18
Edu Vaz/D’Ponta News

O entrevistado do programa ‘Manhã Total’ da Rádio Lagoa Dourada (FM 105.3) desta quarta-feira (2) foi o comandante do Pelotão da Polícia Ambiental de Ponta Grossa, tenente André Luz de Moura. Durante a conversa, ele detalhou as ações realizadas pelo Pelotão que é vinculado à Polícia Militar do Paraná. Dentre as atribuições da equipe, estão o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública nas áreas ambientais. (veja a entrevista abaixo)

O tenente explicou como a Polícia Ambiental atua nas ocorrências, levando em consideração a vasta imensidão de áreas verdes em todo o território. Ele afirmou que o principal meio de averiguação de situações se origina de denúncias anônimas feitas pela população. Contudo, a tecnologia também tem sido uma grande aliada nas ocorrências. “Estamos utilizando o policiamento remoto, via satélite, que é uma ferramenta muito nova e tem ajudado bastante no nosso serviço”, conta.

André ainda comentou que a parceria com outras instituições do governo faz a diferença nas ocorrências de desmate de áreas. “Utilizamos algumas ferramentas da Polícia Federal e de outras instituições. Assim, conseguimos monitorar em tempo real as áreas de desmate, principalmente.” O tenente também citou que outro meio de fiscalização da Polícia Ambiental é o policiamento preventivo, em que os agentes realizam o patrulhamento diretamente nos locais necessários.

Principais ocorrências atendidas
Moura contou que os crimes ambientais variam em cada região do Paraná. “Na nossa região dos Campos Gerais, a maior incidência de crime é o desmatamento, e isso acontece pela grande quantidade de mata atlântica preservada na região.” O tenente ainda destacou que, na região do litoral paranaense, há mais ocorrências de crimes relacionados à extração ilegal de palmito e à caça. Enquanto na região noroeste do Paraná, em Maringá, há maior incidência de pesca irregular.

Tráfico de animais silvestres
Outro assunto abordado durante a entrevista foi o tráfico de animais. De acordo com Moura, um ponto que chama a atenção durante esse tipo de ocorrência é o desconhecimento da população sobre o crime ambiental. Ele citou a posse de aves como exemplo. “O pessoal acha que, por tradição ou cultura, aquilo não é um crime. Às vezes, um avô tinha um papagaio em casa, de estimação, e acham legal, pois é um companheiro que sabe falar”, exemplificou.

Embora a posse de aves seja a ocorrência mais marcante na região, o tenente mencionou outros animais silvestres que também são comuns nas ações da polícia. “Temos situações com anfíbios, como cobras, e também répteis. É muito comum, e o pessoal realmente gosta de criar”, disse.

Animais legalizados
Embora seja um crime manter animais silvestres em cativeiro, Moura explicou que é possível ter esses animais de forma legalizada, desde que alguns protocolos sejam seguidos. O primeiro passo, conforme explicou o tenente, é procurar estabelecimentos autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para realizar a comercialização dos animais. “Não se pode ir no meio da mata e simplesmente pegar um animal e levar para dentro de casa”, alertou.

Tenho um animal que não é legalizado e quero regularizar a situação, e agora?
O tenente explicou que o desfecho de cada situação é particular, mas que o primeiro passo é entrar com uma ação. Durante os trâmites, é necessário comprovar o motivo pelo qual o proprietário tem aquele animal. Moura citou os casos de animais que vivem por muito tempo, como papagaios e jabutis, nos quais é comum as pessoas terem recebido o animal de herança de familiares, e, nesse caso, é importante haver a comprovação. “Às vezes as pessoas pensam que o animal está sendo bem cuidado, comendo papinha. Mas, no fim, aquele animal não está no habitat dele”, afirmou.

Denúncias
Se você presenciar uma situação de crime ambiental ou tiver dúvidas sobre se aquilo se enquadra em um crime, é possível realizar uma denúncia pelo Disque Denúncia, no telefone 181. Também há a possibilidade de registrar a denúncia através do portal de denúncias (clique aqui). Para registrar uma denúncia, não é obrigatória a identificação e nem que a situação esteja ocorrendo em tempo real.

Veja a entrevista na íntegra:

Por Camila Souza