Após a safra de verão, os produtores rurais já devem começar a se preparar para o plantio de culturas de inverno. E na Fazenda Escola Capão da Onça da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Fescon-UEPG) não é diferente. Porém, entre essas safras, é preciso tomar cuidados importantes com o solo.
É o que explica o coordenador da Fescon, professor Orcial Bortolotto. Segundo ele, um dos processos é o plantio de cobertura, que reduz a erosão do solo, evita a infestação com mato na lavoura e incrementa o solo com nutrientes, o que reduz a presença de organismos prejudiciais. Uma das melhores opções para é a cultivar ANm 17.
Após o plantio e o crescimento desse milheto, a próxima etapa é o processo de rolagem das plantas, no qual elas são derrubadas e ficam sobre o solo. “A planta, a partir do momento em que ela é rolada, permite essa proteção do solo. Ela funciona como um agente que reduz a emissão de carbono para a atmosfera”, comenta o professor Bortolotto.
A cultivar ANm 17 é uma boa opção porque é rústica e recomendada para o cultivo em todo o Brasil. Além disso, segundo o coordenador da Fazenda Escola, ela tem uma grande capacidade de produzir massa verde, que é o conjunto da raiz, do colmo e das folhas, além da questão reprodutiva da planta.
“Essa cultivar produz algo em torno de 120 toneladas por hectare: são 10 mil metros quadrados de massa. Então isso é muito importante como uma contribuição biológica e natural para o solo, em termos também nutricionais. A ANm17 tem uma grande capacidade de perfilhamento (ramificação), um ciclo que não é longo de desenvolvimento, algo em torno de 50 dias. Então é rápido, muito propício para a adoção na nossa região, principalmente nesse intervalo antes das culturas de inverno”, completa.
Bortolotto disse ainda que essa espécie é recomendada para o plantio no verão, principalmente aqui na região dos Campos Gerais que possui um queda brusca de temperatura no inverno. “Ela pode ser semeada mais cedo, a partir de setembro ou outubro. No nosso caso, fizemos o plantio após a colheita do feijão, em janeiro. Fizemos isso justamente para não deixar o solo descoberto, para não deixar as plantas daninhas e o mato tomar conta”, finaliza.
Além do coordenador da Fescon-UEPG, o gerente agrícola da fazenda, Márcio Kudrik (Pardal) participou da demonstração.
As informações são da Universidade Estadual de Ponta Grossa.