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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2024

Mês da Consciência Negra: “Estamos lutando para que consigamos nossa liberdade, com igualdade e fraternidade”, declara ativista José Luiz Teixeira

2023-11-28 às 14:28
Foto: D’Ponta News

Nesta terça-feira (28), o advogado, ativista contra o racismo e presidente do Instituto Sorriso Negro dos Campos Gerais, José Luiz Teixeira, esteve no programa Manhã Total, apresentado por João Barbiero, na Rádio Lagoa Dourada FM (105,3 para Ponta Grossa e região e 92,9 para Telêmaco Borba), falando sobre sua história de vida e sua luta contra o racismo.

Leia os principais pontos da entrevista:

Luiz conta que quando chegou em Ponta Grossa era semianalfabeto e trabalhava como torneiro mecânico. Com apoio da sua esposa, que sempre o incentivou a estudar, conseguiu concluir duas faculdades, Economia e Direito, e em uma das faculdades em que se formou, posteriormente foi professor.

Conta que saiu de casa com 15 anos de idade e ficou quase dois anos morando na rua. “A rua te deixa laços que são inesquecíveis, porque a rua judia muito (…) e ela não te dá o que você pretende dela” declara, mencionando a obra ‘A Arte da Guerra’ de Sun Tzu, dizendo que a obra serve para todos os parâmetros da vida. “Ela não serve para a guerra, ela serve para a guerra da tua vida”, diz o ativista.

Recentemente, José recebeu o título de ‘Doutor Honoris Causa’, pela Faculdade Febraica e a Ordem dos Capelães do Brasil, por sua luta contra o racismo. Relembrando toda sua trajetória de vida, ele lembra que o menino que morou na rua é o mesmo que estava recebendo homenagem na Assembleia Legislativa de São Paulo e diz que “o título, em si, é um papel, mas a simbologia dele é muito grande pelo que você faz”.

Apesar da falta de reconhecimento, José Luiz afirma que nunca parou sua luta e afirma que “a dívida que o Estado Brasileiro deve aos negros, é a mesma dívida que a Igreja Católica pede perdão em 2002 ao povo negro do mundo”.

Ele ainda relembra a escravidão no Brasil, dizendo que a única coisa que sobrou para os negros foi o meio periférico. “O negro foi para o morro, foi para os quilombos; é por isso que as nossas lutas não podem parar”, declara Luiz.

Para o futuro, o ativista declara: “Essa era, espero, quiçá, que nós possamos ainda ter a nossa liberdade e nós estamos lutando para que consigamos essa nossa liberdade, com igualdade, com fraternidade; para que sociedade seja plural”, assinala. “Enquanto a sociedade não for plural (…) haverá de ter essas lutas”, finaliza.

Confira a entrevista na íntegra: