Terça-feira, 23 de Julho de 2024

“Quando o paciente sai da polifarmácia, ele tem menos efeitos colaterais e um impacto financeiro menor”, ressalta o Dr. Marcos Tenório

2024-04-02 às 14:29

Em entrevista ao programa Manhã Total, apresentado por João Barbiero, na Rádio Lagoa Dourada FM (105,9 para Ponta Grossa e região e 90,9 para Telêmaco Borba), nesta terça-feira (02), o especialista em ortopedia e traumatologia, Dr. Marcos Tenório, explicou sobre o uso de medicamentos à base de canabidiol.

Pressão da indústria

O Dr. Marcos aponta que sempre existiu uma pressão da indústria farmacêutica para o uso de outros tipos de medicamentos, que não fossem à base de canabidiol. “Na época que se usava o canabidiol, a cannabis e o THC para o tratamento de doenças, a indústria começou a produzir medicamentos potentes para dor em que o paciente pagava um valor mais elevado por eles. Tudo faz parte de uma pressão econômica da indústria”, pondera.

O especialista pontua o exemplo de quando criaram a morfina, que serve principalmente para aliviar dores intensas. “Ela é uma droga potente que tem um efeito colateral muito grande e que, de certa forma, algumas indicações do canabidiol se assemelhavam à mesma indicação da morfina. Então a indústria farmacêutica fez uma pressão muito grande em relação a esses analgésicos um pouco mais baratos para vender os [analgésicos] de alta potência”, explica. “No caso, os medicamentos à base de canabidiol e cannabis foram banidos do mercado na época”, acrescenta.

Debate retornou

Ele também afirma que o debate sobre esses medicamentos à base de canabidiol retornou e vem ganhando muita força nos últimos anos. “Cada semana se postula e se apresentam trabalhos científicos de comprovação do uso e resultado terapêutico do CBD nas doenças e a indústria abraçou essa pauta. O que é importante entender é que o CBD, THC e canabidiol fazem parte do arsenal terapêutico e são um braço importante para o tratamento de dores e doenças degenerativas”, assegura. “Não significa que quando eu introduzir o canabidiol em um paciente que tem a doença de Alzheimer, por exemplo, irei deixar todas as outras medicações de lado”, pondera.

O Dr. Marcos aponta que na sua prática diária realiza muitos tratamentos para dor em seus pacientes. “Os medicamento à base de canabidiol fazem parte do arsenal desse tratamento para dor, porém eu uso outros medicamentos importantes que juntamente com eles o resultado terapêutico é muito positivo”, destaca.

Respeito ao paciente como um todo

O especialista pontua que o mais importante nesse processo é respeitar o paciente como um todo. “Eu trato muitos pacientes com fibromialgia, então eles vêm direcionados pelo psiquiatra ou clínico geral com prescrições importantes e eu não substituo tudo no seu tratamento. No decorrer do tratamento, começamos a sentir uma melhora e conseguimos fazer com que ele saia da polifarmácia, que significa o uso de muitos medicamentos, e passe a usar uma quantidade reduzida”, ressalta.

Ele afirma que essa é a grande vantagem dos tratamentos com medicamentos à base de canabidiol. “A partir do momento que o paciente consegue sair da polifarmácia, ele terá alguns benefícios importantes. O paciente terá menos efeitos colaterais e também terá um impacto financeiro menor”, finaliza.

Confira a entrevista completa: