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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2024

D’P Enfoque: Ponta-grossenses de coração

2023-10-25 às 15:56
Foto: Rafael Guedes/D’Ponta News

Destacando-se pelas belezas naturais, pela economia pujante e pela diversidade cultural, Ponta Grossa é o lar de muitas pessoas que encontraram no município o ambiente ideal para morar, criar os filhos e trabalhar. Conheça a trajetória de cinco personalidades que vieram de fora e que hoje fazem parte da história da cidade 

Ao longo dos últimos anos, Ponta Grossa atingiu a marca de 358 mil habitantes. Os dados são do Censo Demográfico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Das milhares de pessoas que chamam a cidade de lar, nem todas nasceram aqui. Diariamente, chegam ao município diversas pessoas vindas de diferentes lugares em busca de novas oportunidades. Em comum, elas têm a cabeça cheia de sonhos e muita vontade de trabalhar, formar família e prosperar. A seguir, cinco personalidades que adotaram Ponta Grossa como lar falam sobre a experiência de se mudar e viver na cidade.

Nagib Nassif Palma 

“Em Ponta Grossa todo mundo tem o seu espaço, desde o mais clássico e tradicional até o mais moderno e alternativo” (Nagib Nassif Palma, delegado-chefe da 13ª SDP de Ponta Grossa)

Natural de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, o delegado-chefe da 13ª Subdivisão Policial (13a SDP) de Ponta Grossa, Nagib Nassif Palma, foi designado pelo Departamento de Polícia Civil para atuar no município em janeiro de 2019, por conta de seu perfil profissional, mais voltado ao aspecto operacional, que permite maior impacto na segurança pública. “A primeira coisa que eu pensei, quando cheguei à cidade, foi como vencer o desafio que me colocaram de vir para um local maior [anteriormente ele atuava em Cascavel], mas com muito menos estrutura laboral nas delegacias, o que fez com que eu mudasse tudo por aqui”, relembra. “E quer saber? Eu sinto o retorno da população nesse sentido, com apoio, consideração e até carinho, por mim e pela minha família”, acrescenta.

O delegado aponta que, para ele, o aspecto mais agradável de Ponta Grossa é o povo. “Aqui todo mundo tem o seu espaço, desde o mais clássico e tradicional até o mais moderno e alternativo”, avalia, mencionando que gosta de caminhar pelas ruas, frequentar cafeteiras e contemplar a natureza exuberante e a diversidade cultural da cidade. “Aqui há uma mistura cultural extremamente interessante, de passado e futuro, incluindo locais icônicos como mansões com relatos mal-assombrados e personagens excêntricos, como o Stallone de PG, o Super-Homem, o Cavaleiro Templário e o Galã do Amor”, cita, divertindo-se.

Hoje, Nagib chama Ponta Grossa de lar e garante que não pretende deixar a cidade tão cedo. “O meu plano é ficar aqui, mesmo depois de aposentado, pois a cidade tem faculdades muito boas, emprego com ofertas aquecidas e muito incentivo ao esporte”, observa, mencionando que a esposa e os filhos também gostam muito da cidade. “Já nos sentimos ponta-grossenses legítimos, com direito a Título de Cidadão Honorário guardado com amor”, afirma.

O desejo do delegado para Ponta Grossa é que a cidade continue a se desenvolver, mas sem perder a identidade. “A multidiversidade, a qualidade de vida e o carinho do povo são típicos de sua essência”, opina.

José Darcio Glapinski

“Acompanhei o desenvolvimento dessa acolhedora cidade, que oferece oportunidades a todos que aqui chegam” (José Darcio Glapinski, sócio-proprietário da rede de farmácias Fleming)

“Quando criança, eu morei em um sítio situado a 20 quilômetros de Jaguariaíva. Meu pai, mesmo sendo uma pessoa simples, tinha uma visão futurista e sabia que os filhos precisavam estudar”, recorda José Darcio Glapinski, sócio-proprietário da rede de farmácias Fleming. Aos sete anos de idade, ele se mudou para a casa de uma tia em Jaguariaíva para estudar e, ainda na adolescência, começou a trabalhar em uma farmácia. “Eu era responsável por abrir as caixas de medicamentos e guardá-los em seus devidos lugares. Mas, com a curiosidade e a vontade de saber a indicação e a posologia dos remédios, eu comecei a ler as bulas diariamente, e, aos 16 anos, fui promovido para trabalhar no balcão no atendimento”, relembra.

Foi nessa época que surgiu a vontade de ingressar na então Faculdade de Farmácia e Bioquímica de Ponta Grossa [atual Universidade Estadual de Ponta Grossa] e Darcio começou a se dedicar ainda mais aos estudos. “Eu trabalhava das 8h às 18h, ia para o colégio das 19h às 22h30, e estudava diariamente até 1h ou 2h da madrugada”, relata. Com a aprovação no vestibular, ele se mudou para a cidade a fim de cursar o Ensino Superior. “A minha primeira impressão de Ponta Grossa foi muito boa, pela hospitalidade das pessoas. A maior dificuldade, naquela época, era como sobreviver na cidade”, recorda.

Glapinski ficou sabendo então que uma pequena farmácia, de 38 m2, estava à venda na praça Barão do Rio Branco, e nessa hora o espírito empreendedor falou mais alto. “Comprei o estabelecimento ao custo do sacrifício do meu pai, que teve que vender uma casa para que eu pudesse ter o valor da entrada do negócio. Felizmente, as parcelas restantes foram quitadas com o lucro da própria farmácia”, explica. Surgia ali a rede de farmácias Fleming, que completa 59 anos de história, com 25 unidades em Ponta Grossa e na região dos Campos Gerais.

Desde então, o empresário construiu a sua vida na cidade, e, quando não está trabalhando, gosta de se reunir com os amigos que fez no município para bater papo, jantar e conversar. “Eu acompanhei o desenvolvimento dessa acolhedora cidade, que oferece oportunidades a todos que aqui chegam. Sinto-me honrado em participar desse marco histórico e continuar contribuindo para o seu desenvolvimento”, destaca.

Laurival Pontarollo

“Esta cidade é a minha casa. Foi aqui que eu realizei os meus sonhos e é aqui que eu vejo os meus filhos e netos crescendo, estudando, trabalhando e investindo” (Laurival Pontarollo, proprietário da Feijão Pontarollo)

Natural de Guamiranga, na região centro-sul do Paraná, o empresário Laurival Pontarollo chegou a Ponta Grossa em 1996, já com o desejo de investir na cidade e o sonho ter o seu próprio negócio. “Na época, eu tinha duas opções, Guarapuava e Ponta Grossa, que eram cidades grandes e próximas à minha cidade de nascença. Escolhi Ponta Grossa, pois está mais próxima da capital e tem mais habitantes – e, com isso, mais consumidores –, o que favorecia o negócio que eu estava iniciando”, recorda Pontarollo, que hoje é referência no comércio de feijão em todo o Brasil graças à marca que leva o seu sobrenome, a Feijão Pontarollo.

“A primeira impressão que eu tive de Ponta Grossa foi o potencial de negócios, que me motivou ainda mais a criar minha marca e crescer. Além disso, eu enxerguei a possibilidade de dar estudos aos meus filhos”, lembra. Apesar da maior estrutura na educação e saúde, Pontarollo relata que a mudança de vida foi desafiadora. “Assim que eu cheguei, tive a impressão de que o povo era fechado e as pessoas que vinham de fora tinham certa dificuldade para se adaptar”, aponta, acrescentando que essa imagem logo se desfez e que, além de proporcionar bons negócios, a cidade também trouxe grandes amizades, que ele mantém até hoje.

E é justamente ao lado dos amigos e da família que Pontarollo gosta de passar o tempo quando não está trabalhando. “Nas folgas, fazemos churrasco, jogamos futebol, assistimos aos jogos do Operário, visitamos os pontos bonitos da cidade. E, sempre que tenho um tempo, eu gosto de visitar os mercados que vendem os nossos produtos”, enumera. A paixão pelo time da cidade é tão grande que o empresário foi presidente do clube entre 2012 e 2016 e é um dos patrocinadores oficiais do Fantasma.

Assim como Nagib, Pontarollo afirma que sair de Ponta Grossa não está nos seus planos. “Ponta Grossa é a minha casa. Foi aqui que eu realizei os meus sonhos e é aqui que eu vejo os meus filhos e netos crescendo, estudando, trabalhando e investindo”, aponta, destacando que, mesmo após tantos de vida na cidade, o potencial para investimentos de Ponta Grossa continua a surpreendê-lo. “Além de tudo o que a cidade já cresceu nesses 27 anos que eu estou aqui, ainda há espaço para crescer em todos os segmentos”, avalia.

Rafael Francisco dos Santos

“Não me vejo vivendo em outra cidade. Acima de tudo, foi Ponta Grossa que me acolheu e me permitiu realizar a maioria dos meus sonhos” (Rafael Francisco dos Santos, médico otorrinolaringologista)

O médico otorrinolaringologista Rafael Francisco dos Santos é natural de Rio do Sul, em Santa Catarina, mas há 20 anos escolheu Ponta Grossa para chamar de lar. Ele chegou à cidade em 2003, atraído por uma oportunidade de trabalho oferecida pelo médico Acelino Correia Bueno Filho, até então o otorrinolaringologista mais antigo da cidade e que precisava de alguém para trabalhar em sua clínica.

“Na época, o meu irmão trabalhava em Ponta Grossa como cirurgião vascular e havia me falado muito bem da cidade, das pessoas e dos hospitais, e isso me incentivou a abraçar a oportunidade”, relembra, destacando que desde o primeiro momento quis se estabelecer profissionalmente e criar laços com a comunidade. “Hoje eu me sinto muito feliz por ter sido bem recebido pelas pessoas da cidade e ter alcançado todos os meus objetivos”, afirma.

O médico não poupa elogios às belezas naturais de Ponta Grossa. “Gosto muito do nosso clima, da nossa geografia, com esse planalto bonito, com arenitos e cânions, mas o que realmente me encantou em Ponta Grossa foi a capacidade de trabalho e o empreendedorismo dos moradores da cidade”, afirma, mencionando que a mistura de culturas torna a cidade ainda mais interessante.

Em seus momentos de lazer, Rafael costuma passar o tempo em casa com a família e os amigos. “Não pode faltar um churrasco no fim de semana, e, quando tem jogo do Operário, sempre estou lá”, afirma. Sair de Ponta Grossa também não está em seus planos. “Não me vejo vivendo em outra cidade. Acima de tudo, foi Ponta Grossa que me acolheu e me permitiu realizar a maioria dos meus sonhos. É o local que eu escolhi para viver e criar os meus filhos. Aqui é o meu lugar”, garante.

Ricardo da Silva

“Em Ponta Grossa as pessoas vivem harmonicamente, e isso ficou gravado em mim, porque são hábitos comuns da cidade de onde eu venho” (Ricardo da Silva, diretor da SGS Agricultura e Indústria)

O empresário Ricardo da Silva, diretor da SGS Agricultura e Indústria, iniciou a sua atividade industrial no Rio Grande do Sul, mas foi em Ponta Grossa que consolidou o trabalho no segmento agroindustrial. Nascido em Porto Alegre e criado em São Sebastião do Caí, também no estado gaúcho, ele sempre manteve uma proximidade com unidades industriais do segmento de soja no Paraná. “Em 1991, lendo um jornal de circulação nacional, chamou-me a atenção um encarte sobre regiões de potencial econômico em que havia um trabalho de apresentação de Ponta Grossa”, relembra, acrescentando que guarda até hoje esse exemplar da Gazeta Mercantil.

Pouco tempo mais tarde, o empresário estava prospectando novos locais para investir em outra unidade industrial e não teve dúvidas ao incluir Ponta Grossa na lista de cidades a serem visitadas. “Ao chegar, eu identifiquei diversas potencialidades, como infraestrutura estabelecida, identidade com o segmento agroindustrial, Distrito Industrial consolidado, presença de grandes empresas com as quais tínhamos relações comerciais, proximidade do Porto de Paranaguá, por onde exportávamos, e de um grande centro de consumo, que na época se destacava, São Paulo”, elenca.
O empresário lembra que, como ele vinha de uma cidade menor, Ponta Grossa o impressionou pela infraestrutura urbana. “Ao mesmo tempo, foi muito curioso observar que, apesar da grandiosidade e da proximidade com a capital, a cidade mantém as características próprias do interior”, nota. “Aqui as pessoas vivem harmonicamente, e isso ficou gravado em mim, porque são hábitos comuns da cidade de onde eu venho, o que me deixa contente e acrescenta à minha vida e ao meu crescimento”, avalia.

Após três décadas de convivência com Ponta Grossa, Ricardo se considera ponta-grossense de coração. “Esta cidade representa a consolidação de um trabalho e a certeza de que aquela semente que foi plantada há 30 anos neste solo criou raízes e uma árvore perene, que dá sombra e continuará dando bons frutos a esta comunidade”, afirma, ressaltando que se sente acolhido e que fez grandes amizades na cidade. “Eu e a minha família nos sentimos tão ou mais ponta-grossenses do que aqueles que aqui nasceram”, conclui.

Conteúdo publicado originalmente na Revista D’Ponta #297