Sexta-feira, 12 de Abril de 2024

Mente & Corpo D’P: Aprendendo a dizer adeus

2024-01-13 às 13:35
Foto: Reprodução

A morte traz consigo desafios dos mais variados tipos, que vão desde saber como lidar com o luto até a escolha de uma empresa que realize os serviços póstumos com cuidado e ética. Lidar com a partida de um ente querido é um processo difícil, mas que pode ser amenizado com a postura e as decisões corretas

por Michelle de Geus

Apesar de ser uma etapa natural da vida, a morte ainda é considerada um tabu na sociedade contemporânea. Pouco se fala sobre o assunto, o que deixa o luto ainda mais doloroso e as pessoas despreparadas para lidarem com a partida dos entes queridos. É fato que não existe um jeito certo de se despedir ou uma fórmula pronta para prestar a última homenagem, mas também é verdade que o ritual do velório e do sepultamento ou da cremação, quando realizado de forma humanizada e com empatia, pode ajudar a assimilar a perda e contribui para uma melhor assimilação do luto.

Na visão da psicóloga Patrícia Stroka Ramos, que atende pacientes internados na Santa Casa de Ponta Grossa, é preciso observar o comportamento da pessoa em estágio terminal antes de tocar no assunto de sua própria morte. “Esses pacientes vivem um luto antecipatório, e contar o seu real quadro depende muito da fase do luto em que eles se encontram. Se estiverem na fase da negação, eles poderão usar aquilo que você falar como uma desculpa para desistir; se estiverem na fase da aceitação, pode ser o momento de viverem intensamente os últimos dias com as pessoas que eles amam”, exemplifica, citando que é preciso ter cuidado para não deixar o paciente em um sofrimento psíquico maior do que o próprio diagnóstico que ele está enfrentando, o que pode levar à depressão ou até mesmo à desistência do tratamento.

O que faz a diferença

“Não existe uma fórmula pronta para se despedir de alguém que está prestes a partir, mas o cuidado, o amor e o carinho fazem toda a diferença neste momento”, afirma Patrícia. Na visão da psicóloga, o diálogo e as interações afetivas com o paciente são o melhor caminho. “É uma preparação para a despedida e um acalento para quem está partindo. Em pacientes que estão em um quadro mais debilitado, geralmente peço para que os familiares e amigos toquem e conversem com ele. Assim, ambos podem interagir pelos sentidos”, aponta.

“Não existe uma fórmula pronta para se despedir de alguém que está prestes a partir, mas cuidado, amor e carinho fazem toda a diferença neste momento”
Patrícia Stroka Ramos, psicóloga

Ainda mais dolorosa do que a morte de um paciente em estágio terminal é a perda repentina de um ente querido. “A maioria das pessoas entende como se tivesse sido abandonada por aquele se foi. É como se o nosso elo fosse rompido de repente, deixando uma sensação de vazio, que traz muita dor, principalmente porque não conseguimos dizer adeus”, explica. Nesses casos, Patrícia sugere aos enlutados que escrevam a sua história com a pessoa que se foi, pois isso ajuda a relembrar os momentos que estiveram juntos, minimizando a dor e ajudando na elaboração do luto.

Lidando com o luto

A psicóloga ressalta que o luto é um processo que deve ser “vivido e chorado”. “Como dizer para uma mãe não chorar ou não falar sobre a ausência de seu filho que se foi?”, comenta, destacando que é fundamental falar sobre a falta que faz a pessoa que partiu. “O luto não tem prazo de validade, e a dor é subjetiva. O que não podemos é deixar o luto se tornar patológico e a dor ser maior do que a própria vida”, orienta.

A psicóloga também considera importante manter viva a memória de quem se foi, de forma saudável e respeitosa. “A pessoa que morreu teve uma passagem aqui e foi importante para muitos. Essa memória deve ser preservada, mas sempre buscando guardar lembranças que trazem alegria, e não sofrimento”, ensina.

Profissionalismo e sensibilidade

O momento da despedida de um ente querido também envolve a escolha de uma empresa que realize os serviços póstumos com o mesmo cuidado e respeito que dedicamos às pessoas que partem. Referência nesse segmento em Ponta Grossa, a Princesa Assistência destaca que é preciso ter profissionalismo e sensibilidade para lidar com o processo de despedida de uma pessoa. “O nosso trabalho é feito com total responsabilidade, desde que a família aciona o serviço, passando pela documentação, até a busca e a preparação do corpo”, explica Anderson Murilo Rodrigues, diretor da empresa, acrescentando que a humanização das relações e o respeito a princípios éticos e morais devem prevalecer em todo o processo. “Isso nada mais é do que você prestar um atendimento humanizado, discreto, com informações pertinentes apenas à família e com a maior dignidade possível na prestação do serviço”, acrescenta.

O empresário ressalta que uma das principais preocupações da Princesa Assistência é respeitar a religião e a cultura da pessoa que parte, fazendo com que a preparação do corpo, o velório e o sepultamento sejam dignos do que a família deseja. Além disso, a empresa também leva em consideração detalhes que reforçam a imagem daquela pessoa no imaginário dos familiares e amigos. “Nós fazemos uma entrevista com a família, perguntando, por exemplo, se precisa fazer a barba ou o bigode. Imagine um homem que a vida toda usou bigode e, na hora de preparar o corpo, tiram essa característica marcante”, exemplifica.

Empatia

O segredo para prestar um atendimento humanizado, segundo Rodrigues, está na empatia. “O nosso trabalho é uma rotina, como qualquer outro trabalho, mas precisamos entender que aquela família está passando por um momento de dor e precisamos nos colocar no lugar dessas pessoas”, explica. Por isso, todas as etapas de atendimento à família são feitas por profissionais capacitados e que passam por treinamento constante. “Nós acreditamos na melhoria contínua, e, por isso, os nossos colaboradores fazem cursos para executar o seu trabalho da melhor forma possível, oferecendo assim a qualidade que estamos sempre buscando”, frisa.

“Oferecemos um atendimento humanizado para que a família esteja sempre amparada no momento mais difícil”
Anderson Murilo Rodrigues, diretor da Princesa Assistência

O empresário lembra que a Princesa conta com atendimento 24 horas e estrutura completa para que a família se sinta amparada e confortável, incluindo capelas equipadas com ar-condicionado e cozinha, detalhes que fazem toda a diferença no luto. “Além de oferecer serviços póstumos de qualidade, a nossa responsabilidade é fazer com que a família esteja amparada no momento mais difícil”, reforça.

Para um adeus mais leve

Assim como a psicóloga da Santa Casa, Rodrigues acredita que não exista uma única forma correta de se despedir de uma pessoa querida. “Cada família tem a sua cultura, a sua religião, a sua forma de enxergar a situação, e cada pessoa tem no seu íntimo uma forma de se despedir”, aponta. “Não existe uma forma certa de prestar a sua última homenagem. O que existe é o amor, a empatia, a dignidade, o acolhimento e o colocar-se junto à família que está enlutada”, resume, destacando que esses fatores são fundamentais para que a morte seja vista de forma menos dolorosa e mais leve.

Conteúdo publicado originalmente na Revista D’Ponta #299