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Segunda-feira, 04 de Março de 2024

Vinhos & Viagens: ‘Série regiões vitivinícolas portuguesas: Bairrada’, por Patrícia Ecave

2022-07-27 às 11:12

A Bairrada é famosa pela produção de espumantes em Portugal, mas também produz vinhos tintos e brancos tranquilos de excelente qualidade, além disso o setor do enoturismo e a gastronomia são outros pontos fortes que com certeza irão agradar turistas, enoturistas e apreciadores de vinhos.

“Um conjunto de bairros ou povoações”, esse é um dos supostos significados do nome Bairrada, mas há quem considere que a origem do termo venha da palavra barro. O fato é que esta é uma importante região vitivinícola de Portugal, está localizada na província da Beira Litoral, região central, que se estende entre Águeda e Coimbra até às dunas do litoral Atlântico. A Bairrada é famosa pela produção de espumantes e pelo cultivo da casta Baga.

A Baga é uma uva originária da própria Bairrada, uma casta de dimensões pequenas, com casca grossa, capaz de oferecer classe e estrutura aos rótulos que compõem, que vão desde os tintos, rosés até espumantes. Os rótulos costumam ser intensos, com taninos acentuados, cor profunda e aromas concentrados, portanto, produz vinhos cheios de personalidade, como também, através de estudos e tecnologia empregados no decorrer dos últimos anos já é possível apreciar também vinhos mais leves elaborados com a Baga.

A região possui sua CVR – Comissão Vitivinícola Regional da Bairrada, que trata das questões relacionadas diretamente aos produtores de vinhos, além disso a região também tem a sua própria rota, conhecida como a Rota da Bairrada, são dois órgãos independentes, mas que trabalham juntos pela divulgação e crescimento do enoturismo na região. Os selos, conforme a classificação dos vinhos da região, são o Beira Atlântico, Bairrada e Baga Bairrada, este último é uma certificação paralela, pois a região é a que possui maior produção e expressão da uva Baga a nível nacional. Já são 18 anos de existência da Rota da Bairrada que começou com 10 produtores e hoje já conta com mais de 100 associados.

A localização da sede da Rota está exatamente no coração da Bairrada, no Concelho de Anadia, Distrito de Aveiro e apresenta um conceito diferenciado. Além de incluir produtores de vinho, envolve também outros agentes econômicos da região, como gastronomia — com seus restaurantes —, hotéis, empresas de animação turísticas, os próprios municípios, o turismo do centro e a CVR, todos fazem parte da associação: “nosso objetivo é promover e dinamizar o enoturismo na região, valorizando nossos produtores e a economia local”, destaca Ana Carolina Nunes, responsável pela comunicação da Rota.

O prédio da Rota está em uma antiga e linda estação de comboio de 1944, forrada com azulejos tipicamente portugueses e, além de uma loja online com vinhos dos produtores da região, a sede física também conta com diversos rótulos para venda. São mais de 500 referências de vinhos na loja da Curia que também comercializa produtos confeccionados localmente, e a sede ainda oferece espaços diversos para provas comentadas, degustações e cursos. Há salas com materiais criativos que atendem desde crianças até adultos e também são disponibilizadas bicicletas gratuitas para quem quiser fazer um passeio em duas rodas.

A Rota oferece a organização de um programa de visitas, com a opção de atividades para grupos com disponibilização de veículo próprio da Rota, prestação de informações de enoturismo, desenvolvimento de atividades culturais da região, visitas guiadas e provas de vinhos comentadas. Também podem ser criados circuitos conforme o interesse do turista e o número de dias que pretende ficar, as atividades para as próximas vindimas já estão sendo programadas, “nosso objetivo principal é criar uma rede de serviços e informar nossos visitantes do que podem encontrar em toda a região Bairrada, incluindo os 8 municípios que fazem parte da região”, comentou Joana Castilho, responsável pelo Enoturismo.

A Rota da Bairrada tem os seguintes espaços: a sua sede na Cúria em Anadia, um espaço no centro de Oliveira do Bairro, um espaço durante o verão na Praia da Vagueira — em Vagos (meses de julho e agosto) — e um espaço na Estação de Aveiro. Pertence à Rota da Bairrada oito Concelhos: Aveiro, Águeda, Oliveira dos Bairros, Vagos, Anadia, Mealhada, Cantanhede e Coimbra. Na sede da Rota fui recepcionada com os encantadores doces típicos Amores da Curia que são pastéis de massa folhada muito fina, recheada de ovos moles e polvilhados com açúcar pilé, apresentados em forma de coração e harmonizados com espumante, uma composição adorável para o meu paladar.

A Bairrada é a mais antiga e importante região de espumantes do país. Desde 1890, aqui se produzem espumantes pelo método clássico, resultando em vinhos muito finos de aroma e com um excelente paladar. Em linha reta a região de cultivo fica aproximadamente a 20 km do mar, o solo em sua maioria é argiloso-calcário e o clima é mediterrânico moderado pelo Atlântico, portanto, recebe forte influência marítima. Os invernos são frescos, longos e chuvosos e os verões são quentes, suavizados pela presença de ventos frequentes nas regiões junto ao mar, além disso a localidade se beneficia de grande amplitude térmica e tudo isso contribui para um terroir apropriado principalmente para produção de espumantes.

 

Aliança Underground Museum

Meu primeiro ponto de parada foi no Aliança Underground Museum, que pertence à Aliança Vinhos de Portugal (são os mesmos proprietários da Bacalhôa), é o primeiro museu subterrâneo onde estagiam vinhos e aguardente em conjunto com um acervo de 8 coleções artísticas. Já na entrada a decoração lembra o metrô de Londres e estão abertos praticamente o ano todo, de segunda a domingo (encerra apenas 1 de janeiro e 25 de dezembro). A estrutura é imensa, possui salão para eventos, programas vínicos, visitas guiadas, provas de vinhos, loja e coleções artísticas e peças de diversas áreas como a arqueologia, etnografia, mineralogia, paleontologia, azulejaria, cerâmica e estanharia, abrangendo uma impressionante extensão temporal com milhões de anos. Surpreendentemente um dos setores é dedicado a peças do Brasil, são minerais com várias amostras de quartzo, turmalina, ametistas e outras variedades, também tem alguns fósseis de milhões de anos atrás, inclusive da Argentina.

https://bacalhoa.pt/enoturismo/alianca-underground-museum

Mugasa

O segundo local que conheci foi o Restaurante Mugasa, onde tive a feliz oportunidade de conhecer alguns pratos típicos da Bairrada como o Leitão Assado. Ricardo Nogueira Mugasa é da família de proprietários e é especialista no preparo do leitão, “os leitões são colocados em molho, suturados, aquece-se o forno com a temperatura correta, as brasas são afastadas para as laterais e tapadas com cinza. Durante os primeiros 15 a 20 minutos é necessário atenção redobrada para adquirir a pele dourada, estaladiça e sem queimar, depois ficam mais duas horas assando e está pronto”, explicou o especialista, além disso o leitão da Bairrada também deve ter um corte correto da carne.

Leitão à Bairrada

Uma das raças suínas mais utilizadas na região é a Bísara. Para acompanhar o leitão de acordo com a tradição na Bairrada, usa-se batatas pequenas cozidas com pele, é também acompanhada por salada de alface simples, para não interferir no sabor do leitão, e por laranja em rodelas que proporcionam um efeito adstringente.

Durante o almoço, além do Leitão da Bairrada, provamos cabidela de leitão (confeccionada com sangue e miúdos do leitão: coração, pulmões, fígado, cortados em pequenos pedaços e temperados com o molho do leitão, banha, sal, azeite, cebola, vinho tinto e água.), também iscas de leitão (fígado de leitão temperado com alho, sal e pimenta e vinho branco, depois de cortado em finas fatias são fritos) e, para sobremesa, um belo Morgado de Bussaco, sobremesa típica da região, composta por camadas de panquecas gigantes, feitas à base de claras de ovo em castelo, açúcar amarelo, mel, nozes moídas e amido de milho, intercaladas com ovos moles de Aveiro, simplesmente maravilhosa.

 

Caves São João

Nas Caves São João, fui recebida pela Célia Alves, gestora da vinícola e Presidente da Confraria Enófila da Bairra, ela apresentou toda a estrutura, é a empresa mais antiga em atividade na região da Bairrada. Fundadas em 1920 pelos irmãos José, Manuel e Albano Costa, as Caves São João são uma empresa familiar que, a princípio, se dedicava à comercialização de vinhos finos do Douro e licores, e hoje é a empresa familiar mais antiga ainda em atividade no concelho de Anadia.

Patrícia Ecave e Célia Alves, gestora das Caves São João e Presidente da Confraria Enófila da Bairrada

Nos anos 30, com a interrupção da elaboração dos vinhos do Porto fora de Vila Nova de Gaia, a Empresa começou a comercializar vinhos de mesa da Bairrada. Nessa época, iniciou também a produção de espumantes naturais, pelo método “champanhês” (como era chamado em Portugal). No final da década de 50 nasceu uma das mais célebres marcas de vinhos da região da Bairrada – o “Frei João” – e, um pouco mais tarde, uma marca da região demarcada do Dão, o “Porta dos Cavaleiros”.

É uma das adegas que têm maior quantidade de vinhos de guarda armazenados, conhecidos por eles como vinhos velhos. São centenas de garrafas de vinho de colheitas antigas armazenadas em galerias escuras que estagiaram ao longo de vários anos à espera de consumidores mais requintados, é o resultado de uma política da empresa de guardar para as gerações futuras vinhos das melhores colheitas, com rótulos desde 1960.

O espaço das Caves São João preserva arquitetura antiga, tem diversos equipamentos de vinificação, armazenam em cubas de cimento e utilizam barricas para alguns tipos de vinho. Possuem uma quinta em Cantanhede onde cultivam uvas brancas e tintas que são usadas para elaborar os vinhos da marca Quinta do Poço de Lobos, mas também adquirem uvas de produtores da região para complementar o portfólio. A empresa está organizando um futuro museu com vários equipamentos antigos.

Degustamos na Caves São João os seguintes rótulos:

Porta dos Cavaleiros Dão branco – 1995, elaborado com as castas encruzado, bical, cercial branco e malvasia fina, vinificado em cubas de cimento, sem passagem por barrica, notas apetroladas, borracha, um vinho bastante diferente.

Porta dos Cavaleiros Dão tinto – 1980, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Baga, sem passagem de barrica, aroma bastante rico e agradável.

Caves São João Reserva tinto – 2015, elaborado com as castas Touriga Nacional e Baga, é considerado um vinho de mesa, por conter uvas do Dão e da Bairrada, portanto, duas regiões diferentes, para isso coube a recente certificação Ano e Casta.

Frei João Reserva Tinto – 2018, fino e elegante, com notas de frutas negras, figo seco, feno e especiarias. Boa estrutura, frescura e persistência em boca.

Espumante Quinta do Poço do Lobo Bruto – 2015, é a primeira edição deste espumante rosé que foi lançado ano passado, elaborado com as uvas Baga e Pinot Noir, tem mais de 50 meses de estágio em cave, bastante elegante, fino e aromático.

 

Museu do Vinho

Em Anadia está localizado o Museu do Vinho da Bairrada, em um edifício contemporâneo, inaugurado em 27 de setembro de 2003, comporta, além da exposição permanente — Percursos do Vinho —, uma série de exposições temporárias de arte contemporânea. O espólio em exposição é, maioritariamente, datado do último quartel do século XIX e primeira metade do século XX. O museu dispõe de biblioteca e mediateca, auditório, sala de restauração e cafeteria. Terça a sexta-feira: 10h00 – 13h00 / 14h00 – 18h00; Sábado, domingo e feriados (exceto 25 de dezembro, 1 de janeiro e domingo de Páscoa): 11h00 – 19h00; Segunda-feira está fechado.

Durante a minha visita tive a oportunidade de observar caricaturas divertidas de César Mourão e apreciar vários materiais relacionados ao vinho, como as exposições fotográficas A Arte da Tanoaria, por José Fangueiro; Vai uma tacinha!? por Antonio Conceição, com ícones do mundo da ciência e cinema; a exposição mista Espumantes Bairrada? Não se desperdiça nada! uma garrafa de espumante imensa confeccionada por Salomé Pinho, uma enoteca e uma das maiores coleções de saca-rolhas, confira nas fotos abaixo:

Av. Eng. Tavares da Silva

3780-203 Anadia

Fone: 231 519 780

 

Luis Pato Wines

A família Pato produz vinho na Quinta do Ribeirinho desde, pelo menos, o séc. XVIII. João Pato começou a engarrafar vinho das suas vinhas em 1970, tornando-se o primeiro produtor/engarrafador na região da Bairrada depois da sua demarcação.

O seu filho Luis Pato herdou o seu espírito inconformista e pioneiro e, em 1980, produziu o seu primeiro vinho, um monovarietal de Baga de uma qualidade excepcional e raridade absoluta, que é hoje procurado por apreciadores como um tesouro. Nos 60 hectares de vinha estão plantadas as castas Baga e Touriga Nacional nas variedades tintas, e as castas Maria Gomes, Bical, Cercial da Bairrada e Sercialinho nas variedades brancas. As várias vinhas estão distribuídas por 2 tipos de solos: arenosos e argilo-calcários.

Patrícia Ecave, Romy Pato (esposa de Luis Pato) e o Enólogo Luis Pato

Luis Pato é também conhecido como “O Rebelde” e encontrá-lo pessoalmente sem dúvida foi uma grande surpresa, o que posso dizer é que ele reúne vários adjetivos: irreverente, divertido, inovador, dinâmico, polêmico, entre outros. O título de rebelde foi atribuído quando em certa época era um dos únicos a defender a casta Baga, considerada por muitos uma uva difícil de trabalhar, extremamente tânica e provavelmente sem mercado para comercialização, além disso, fez vinhos monocastas e de parcela única. Com isso, Luís passou por cima de todos os contras e se tornou o que muitos chamam de o “Rei da Baga”, inovando na técnica. Ele realiza duas colheitas com 4 semanas de diferença, a primeira para espumantes, a segunda para tintos, o que diminui a agressividade dos taninos, outra possibilidade na vinificação era usar barrica de carvalho ou uma uva branca e ele utilizou a bical em co-fermentação proporcionando taninos mais redondos para a famosa Baga.

Na sequência fomos almoçar com Luis Pato e a esposa Sra Romy Pato no Restaurante Pompeu dos Frangos. Lá, provamos outros pratos típicos além do frango assado acompanhado de piri-piri (um tipo de pimenta), como o Arroz de Cabidela que é semelhante ao sarapatel. A cabidela é um guisado que utiliza, durante a sua confecção, o sangue avinagrado do próprio animal que é cozido, a carne é de frango ou de galinha que é depois acompanhada ou misturada com arroz branco.

Para sobremesa, Natas do Céu que consiste em chantilly coberto com creme de ovo e com biscoitos esfarelados na parte inferior. O doce é maravilhoso e, segundo Luis Pato, com ele se arranja marido!

Vinhos degustados:

– Espumante de Baga Rosé – aromático, perlage fina, frescor e acidez expressivos, persistência.

– Parcela Cândido – Cercial 2020, fermentado em pipas de castanho de 650 ou 500 litros, apresenta aromas de pêra, amêndoa torrada, baunilha, ameixa branca. Intenso em boca, com um final longo.

– Bical – varietal fermentado em ovos de plástico, aromático, fresco e bem estruturados, notas de pêssego e alperce

– Sercialinho – considerado um dos maiores produtores dessa casta, inclusive citado no livro da crítica britânica Jancis Robinson, esse branco tem impressionante potencial de guarda para mais de 40 anos, é fresco, acidez equilibrada, com boa concentração, lembra riesling, é uma casta encontrada somente na Bairrada.

Abaixo o link da minha conversa e degustação com Sr Luis Pato:

https://www.instagram.com/tv/CgFVYAflIsC/?utm_source=ig_web_copy_link

 

Caves do Solar de São Domingos

A empresa Caves do Solar de São Domingos foi fundada por Elpídio Martins Semedo em 1937 e, desde 1970, foi dirigida por Lopo de Sousa Freitas, responsável pelo grande desenvolvimento da casa ocorrido ao longo das últimas décadas.

Inicialmente vocacionada para a produção de espumantes, com os quais obteve elevado reconhecimento nacional e internacional, ao longo dos tempos foi se alargando a gama de produtos, adicionando-se aguardentes velhas, aguardentes bagaceiras e vinhos Bairrada, mantendo sempre uma preocupação constante com a qualidade.

As suas galerias escavadas na rocha guardam mais de dois milhões e meio de garrafas de espumante em estágio que surpreendem milhares de visitantes do enoturismo por sua beleza. A magnífica sala BAGA vocacionada para provas e banquetes, o museu com 85 anos de história exposto na sala BAIRRADA e uma bonita Loja de Vinho complementam a visita a um dos espaços mais emblemáticos da Bairrada.

Vinhos degustados:

– Espumante São Domingos Tinto Bruto 100% Baga – muito frutado no aroma, lembrando frutos silvestres e morangos frescos. Na boca é cheio, refrescante e persistente. Ideal para sardinha assada, arroz de lampreia e em especial o Leitão da Bairrada.

– Volúpia Branco 2021 – Intenso e atrativo no aroma, destacam-se notas de fruta tropicais, como maracujá, frutas cítricas e notas vegetais. Muito frutado na boca, revela delicada frescura e mineralidade, sabor e cremosidade, proporcionando um final agradável. Elaborado com Sauvignon Blanc (50%), Chardonnay (35%) & Maria Gomes (15%). Ótimo para harmonizar com entradas de salmão, caldeirada de peixes ou enguias, e queijos firmes de maturação média.

A Bairrada tem uma riqueza imensa em enoturismo e muitas outras vinícolas e restaurantes de gastronomia típica para visitar, recomendo uma estada de pelo menos 3 dias e lembro que a Rota da Bairrada pode orientar e oferecer todas as informações necessárias para que sua visita seja inesquecível.

Serviço:

Rota da Bairrada

Largo da Estação da Curia

Edifício da Estação

3780-541 Tamengos, Curia

Telf. + 351 231 503 105

Site: https://www.rotadabairrada.pt/

 

Vinhos & Viagens

por Patrícia Ecave

Patrícia Ecave é jornalista, digital Influencer e sommelière paranaense. Trabalhou com radiojornalismo, assessoria de imprensa, eventos, produção de vídeos, funcionalismo público, gestão administrativa e gestão de pessoas. Realizou viagens enogastronômicas e cursos no país e no exterior, como Vale dos Vinhedos, Cone sul e Europa. Organiza workshops, cursos, jantares harmonizados, treinamento de equipes e consultoria geral. Escreve sobre viagens, vinhos e gastronomia.