há 3 dias
João Barbiero

A política catarinense assiste a um movimento tão arriscado quanto revelador. O governador Jorginho Mello, ao acatar a imposição de Jair Bolsonaro para lançar Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni ao Senado, optou por prescindir de um quadro histórico de Santa Catarina: Esperidião Amin. Não se trata apenas de quebrar um acordo que previa a chapa com Amin e De Toni, costurado para manter a hegemonia da direita no estado. Trata-se de um profundo equívoco político do Partido Liberal, que descarta um aliado fiel e experiente para ceder ao que parece ser mais um capítulo das disputas internas do clã Bolsonaro .
O agravante dessa história torna o gesto ainda mais amargo. Estamos falando do mesmo Esperidião Amin que, há poucos meses, atuou como relator do projeto de lei da Dosimetria no Congresso, peça fundamental para reduzir a pena de Jair Bolsonaro e salvá-lo politicamente. Amin foi o soldado cumprindo a missão, usando seu capital político em Brasília para beneficiar os mesmos que agora lhe fecham as portas. A “gratidão” bolsonarista, como se vê, tem prazo de validade e não resiste ao núcleo duro da família.
Ao final, resta a imagem de Carlos Bolsonaro repetindo um roteiro conhecido. Aquele que começou a carreira política nos bastidores do Rio de Janeiro, tendo como um dos seus primeiros e mais simbólicos movimentos tirar o cargo da própria mãe, agora transfere seu domicílio eleitoral para Santa Catarina. Aqui, ele anuncia que será candidato após ter fechado as portas para a reeleição de Amin, repetindo a sina de chegar para ocupar o espaço alheio. Santa Catarina que se cuide: o método é o mesmo, só muda o endereço.
Ao findar desse artigo pense comigo: mesmo não gostando de política e dos políticos, você, como um verdadeiro catarinense, ousaria imaginar em NÃO votar em alguém que conhece o estado e suas necessidades - leia-se Esperidião, pra votar em alguém que chegou em Santa Catarina atropelado pelo seu estado, sem saber, por exemplo, que Xanxerê fica no Oeste e que Blumenau foi colonizada por alemães. Até eu votaria no Amin, mas o Jorginho não quer.