Publicidade
{}
NotíciasColunistasSobreContatoAnuncie no DP
Revista DPPonto de VistaManhã Total
NotíciasColunistasSobreContatoAnuncie no DPRevista DPPonto de VistaManhã Total
Artigo

Artigo: 'E agora, Nikolas?', por Oliveiros Marques

há 9 horas

Oliveiros Marques

Artigo: 'E agora, Nikolas?', por Oliveiros Marques
Publicidade

As notícias veiculadas hoje pela imprensa acrescentam uma peça incômoda a um quebra-cabeça que já vinha se formando. O deputado Nikolas Ferreira teria voado, em 2022, em avião do Banco Master para cumprir agenda de campanha de Jair Bolsonaro. O ponto mais grave: o uso dessas aeronaves não teria sido declarado na prestação de contas eleitoral, o que levanta questionamentos adicionais sobre transparência e legalidade. No mesmo ambiente orbitariam lideranças da Igreja Lagoinha ligadas ao pastor Zettel, apontado como grande doador das campanhas bolsonaristas, e conexões familiares com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Não se trata de um detalhe trivial. Em política, deslocamentos, financiamentos e apoios raramente são neutros. Quando um banco envolvido em operações controversas aparece como facilitador logístico de campanhas - e esses apoios sequer constam oficialmente nas contas apresentadas à Justiça Eleitoral - a pergunta deixa de ser moralista e passa a ser institucional: que relações foram estabelecidas ali? Quem apoiou quem - e por quê?

O caso ganha contornos ainda mais delicados quando lembramos o contexto. À frente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, presidente do BACEN indicado por Jair Bolsonaro, tomou decisões que impactaram diretamente o sistema financeiro. No Distrito Federal, Ibaneis Rocha, outro bolsonarista de primeira hora, conduziu o Banco de Brasília (BRB) a negociar a compra de ativos do Master, movimento que gerou questionamentos no mercado. E durante o governo Bolsonaro, operações envolvendo o banco encontraram ambiente regulatório favorável.

Somadas, essas peças compõem um mosaico difícil de ignorar. Não se afirma aqui ilegalidade automática; afirma-se, sim, que há uma rede de interesses que merece luz plena - especialmente quando surgem indícios de benefícios financeiros e materiais não declarados em campanhas eleitorais. É exatamente nesse ponto que a política reage. Vê-se a marcha coordenada para desviar o foco, a blindagem em comissões parlamentares, a súbita mudança de pauta. O tema Banco Master vira assunto lateral, enquanto outras polêmicas são infladas como cortina de fumaça.

A estratégia é conhecida: quando o terreno fica movediço, cria-se ruído. Muda-se o debate. Constrói-se inimigo externo. Aposta-se na indignação seletiva. O problema é que os fatos teimam em permanecer. A cada revelação, reforça-se a impressão de que não estamos diante de episódios isolados, mas de conexões políticas, financeiras e religiosas que operaram em sintonia.

E então a pergunta do título volta com mais força: e agora, Nikolas? O discurso inflamado contra “o sistema” resiste quando surgem indícios de proximidade com engrenagens poderosas do mercado financeiro - e quando o apoio material não aparece formalmente declarado? A retórica antissistema convive bem com voos em jatinhos de banqueiros?

A democracia exige coerência e transparência. Se não há nada a esconder, que se esclareça. Que se abram contratos, registros, agendas. Que se permita investigar sem blindagens nem manobras regimentais. O que não é aceitável é transformar o debate público em permanente espetáculo de distração enquanto questões estruturais ficam na sombra.

Talvez o que esteja “ficando muito claro” não seja apenas a relação de um deputado com um banco, mas o método de um grupo político quando confrontado com fatos incômodos: mudar de assunto, acusar a imprensa, tensionar a base, criar a próxima crise. Só que há momentos em que a fumaça se dissipa. E, quando isso acontece, resta encarar o que está diante dos olhos.

Oliveiros Marques é sociólogo, publicitário e comunicador político

Compartilhe:

Leia também

Artigo: 'Luiz Marinho e as pautas trabalhistas hoje', por Oliveiros Marques
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
{ }
Rua Ricardo Lustosa Ribas, 154 Vila Estrela, Ponta Grossa - PR CEP: 84.040-140

Institucional

  • Notícias
  • Colunistas
  • Sobre
  • Contato
  • Anuncie no DP
  • Revista DP
  • Ponto de Vista
  • Manhã Total

Categorias

Redes Sociais

Hospedado por CloudFlash
Desenvolvido por Flize Tecnologia