há 2 horas
Amanda Martins

A eventual adoção de uma jornada semanal de 40 horas, com o fim da escala 6×1, pode elevar em 7,84% o custo médio do trabalho celetista no país. A estimativa consta em nota técnica divulgada nesta terça-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos microdados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023.
Segundo o portal Ric, a redução da jornada, mantida a remuneração nominal, implica aumento automático do valor da hora trabalhada, o que pressiona o custo médio do trabalho. Ainda assim, ao considerar a participação da mão de obra no custo total de cada setor, o impacto tende a ser diluído, especialmente em segmentos de grande porte, como indústria e comércio, onde o efeito estimado representa menos de 1% do custo operacional.
Há, porém, áreas mais sensíveis à mudança, sobretudo as intensivas em mão de obra. No setor de vigilância e investigação, por exemplo, o impacto pode chegar a 6,6% do custo operacional. O estudo compara ainda o efeito da medida a reajustes anteriores do salário mínimo, como os aumentos de 12% em 2001 e de 7,6% em 2012, que não resultaram em redução do nível de emprego. A redução da jornada prevista na Constituição de 1988 também não teria provocado efeitos negativos sobre a ocupação.
A nota técnica aponta que jornadas mais extensas concentram trabalhadores de menor renda e escolaridade. A remuneração média mensal em contratos de 40 horas é de R$ 6.211, enquanto nos vínculos de 44 horas o rendimento médio corresponde a 42,3% desse valor. O estudo destaca ainda que empresas de menor porte podem enfrentar maior desafio na transição, já que 87,7% dos trabalhadores em firmas com até quatro empregados e 88,6% naquelas com cinco a nove empregados cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais, acima da média nacional de 79,7%.
“O tempo de transição também é muito importante para as empresas menores. E você precisa abrir possibilidades de contratação de trabalhadores em meio período, por exemplo, que possam suprir eventualmente um tempo de funcionamento num fim de semana”, afirma o pesquisador Felipe Pateo.
O tema ganhou força no debate político e entrou na pauta prioritária do Congresso. Tramitam na Câmara as PECs 8/2025 e 221/2019, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluiu a redução da jornada entre as prioridades do Executivo. O presidente da Câmara, Hugo Motta, indicou que a análise pode ocorrer em maio.