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Giovanni Cardoso

A confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) e em outras instituições do Judiciário chegou ao maior patamar de descrédito já registrado, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (11). O levantamento acompanha a repercussão do escândalo envolvendo o banco Master e o pagamento de “penduricalhos” — verbas extras que aumentam os salários da classe de magistrados.
O estudo mostra que 43% da população afirmam não confiar no STF, índice mais alto desde o início da série histórica, em 2012. No levantamento anterior, em dezembro de 2024, o percentual era de 38%. Ao mesmo tempo, a proporção de brasileiros que dizem confiar muito na Corte caiu de 24% para 16%, atingindo nível próximo ao registrado em junho de 2018, quando 14% afirmavam ter confiança plena no tribunal.
A avaliação do desempenho dos ministros também registrou queda: apenas 23% classificaram o trabalho da Corte como “ótimo” ou “bom”, contra 32% na pesquisa anterior. Já a percepção de “ruim” ou “péssimo” subiu de 35% para 39%.
Entre os grupos que mais demonstram desconfiança estão homens (46%), pessoas com ensino superior (45%) e cidadãos com renda acima de 10 salários mínimos (65%). A percepção também varia segundo a intenção de voto presidencial: 44% dos eleitores do atual presidente avaliam positivamente o STF, enquanto 67% dos que apoiam o senador Flávio Bolsonaro expressam insatisfação com a Corte.
A pesquisa aponta ainda forte apoio da população a limites para a atuação dos ministros. Cerca de 79% desaprovam que juízes julguem casos envolvendo clientes de familiares, 78% rejeitam participação de ministros em sociedades empresariais e 76% se posicionam contra recebimento de pagamentos por palestras privadas.
A desconfiança se estende ao Judiciário como um todo: a proporção de brasileiros que disseram não confiar na Justiça subiu de 28% para 36%, outro recorde histórico desde 2017.
Foram ouvidas 2.004 pessoas com idade a partir de 16 anos em 137 municípios, entre 3 e 5 de março. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, registrada no TSE sob o número BR-03715/2026.