‘Dois mil e vinte e dois’ se apresenta repleto de incertezas, promessas e esperança. Para descobrir o que se pode esperar para esse próximo período, a revista D’Ponta entrevistou especialistas, intelectuais e doutores em nove áreas do conhecimento e publicará os conteúdos ao longo dos próximos dias.
O impacto das eleições para presidente, governadores, deputados e senadores será um definidor importante em quase todas as esferas. De igual modo, é imperativo saber quais serão as medidas para conter a Covid-19, assim como as consequências para a saúde mental que a pandemia vai nos deixar.
A perspectiva sobre o cenário econômico requer também um olhar mais aprofundado sobre agricultura, tecnologia, educação e meio ambiente. Além disso, fomos em busca de informações para traçar o futuro do Operário Ferroviário Esporte Clube. Não se trata de um exercício de vidência ou adivinhação, mas apenas perspectivas e projeções a partir de visões baseadas em fatos e na ciência.
SAÚDE MENTAL
“No ano de 2021, as esperanças e planejamentos de todo o planeta estiveram à mercê da pandemia de Covid-19. A Gripe Espanhola de 1918 matou mais pessoas, bem como a Peste Negra séculos atrás, mas a rapidez da comunicação nos mostrou os rumos da pandemia a cada dia, desde janeiro de 2020. No que diz respeito à saúde mental, é possível considerar algumas coisas prováveis, mas não certezas. São nítidas sequelas emocionais, principalmente as relacionadas ao medo e perdas, na população em geral. Não só quem perdeu alguém tem medo da morte.
Para Andrew Solomon, autor de O demônio do meio-dia, “quem ama tem medo de perder”. Muito provavelmente 2022 será marcado pela retomada das relações, sejam elas afetivas, trabalhistas, ocupacionais, sociais, etc. Será que voltaremos a apertar as mãos? E a abraçar? Juan Mann, o australiano que criou a campanha Abraços gratuitos em 2004, não deve ter previsto que abraçar pessoas seria gesto tão temido em 2020. Ou seja, reaprender a expressar o afeto, confiar nas pessoas, na saúde delas, respeitar regras sociais perdidas no mundo virtual, são desafios para 2022. E, parafraseando a personagem argentina dos quadrinhos Mafalda: “Pra chegar aqui com as coisas como estão, o ano que vem deve ser, no mínimo, corajoso!”.
Maurício Wisniewski, psicólogo clínico, professor de Psicologia, doutor em Educação e Desenvolvimento Humano e fã da Mafalda