há 4 dias
Amanda Martins

O Operário Ferroviário inicia 2026 em um ponto de inflexão. Depois de anos marcados por organização, estabilidade e campanhas seguras na Série B, o Fantasma entra no novo ano com um discurso que já não admite apenas a permanência: é hora de transformar o projeto em resultado e, finalmente, mirar o acesso à Série A. A continuidade de Alex de Souza no comando técnico simboliza essa virada de chave.
O Campeonato Paranaense surge como o primeiro termômetro dessa ambição. Atual campeão, o Operário não entra mais como surpresa, mas como alvo. Defender o título deixou de ser apenas uma conquista estadual e passou a ser uma obrigação esportiva, capaz de sustentar a confiança do elenco e reforçar a autoridade do trabalho antes das competições nacionais. O bicampeonato é visto como combustível, não como fim.
Mesmo com a importância do estadual e da Copa do Brasil, não há dúvida sobre onde está o verdadeiro desafio. A Série B é o grande julgamento do projeto. Após temporadas em que o clube se manteve longe do rebaixamento, mas também distante do acesso, cresce a sensação de que o discurso da “campanha segura” já não satisfaz. Em Ponta Grossa, o “quase” virou incômodo, e 2026 é tratado como o ano em que isso precisa mudar.
A aposta na continuidade é clara. Manter Alex de Souza e uma base do elenco indica confiança em um modelo de trabalho que, até aqui, foi sólido, mas insuficiente para o salto definitivo. A expectativa é que as ideias do treinador, consideradas fora do padrão tradicional da Série B, consigam elevar o nível competitivo de um time que já mostrou ser organizado, mas que precisa ser mais agressivo quando o objetivo é subir.
O reforço do elenco também sinaliza essa cobrança interna por evolução. As chegadas de Mikael Doka, Moraes Jr, José Cuenú, Jhan Pool, Matheus Trindade, Hildeberto Pereira, Aylon Tavella e Edwin Torres mostram um clube disposto a ajustar peças e aumentar alternativas. A renovação de Gabriel Boschilia até 2027 reforça a aposta em liderança técnica e continuidade dentro de campo.
Mesmo diante do ceticismo externo sobre a capacidade estrutural do Operário para sustentar uma eventual Série A, o ambiente no Germano Krüger é de convicção. A diretoria acredita que o clube não deve apenas sonhar com o acesso, mas provar que pode chegar à elite preparado para permanecer. A estreia contra o Londrina, no dia 7 de janeiro, pelo Paranaense, abre uma temporada que promete ser menos confortável, e muito mais decisiva, para o Fantasma.