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Redação

O governo dos Estados Unidos confirmou neste sábado (6) uma operação militar na Venezuela que resultou na invasão do país e no sequestro do presidente Nicolás Maduro. Segundo o Diarinho, durante coletiva de imprensa, o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que a ação marca uma nova fase da política externa dos EUA sob o retorno de Donald Trump ao poder. “Bem-vindos a 2026, e sob o governo Trump, a América está de volta”, declarou.
Para justificar a operação, a Casa Branca apresentou duas narrativas distintas. A primeira sustenta que Maduro é acusado de crimes como conspiração de narcoterrorismo, envio de cocaína e posse de armas de uso restrito, base do indiciamento do presidente venezuelano e de sua esposa pela Justiça de Nova York. Segundo o governo norte-americano, Maduro foi capturado em Caracas por forças militares e agentes da DEA e está sendo levado aos Estados Unidos.
A segunda justificativa apresentada remete a disputas econômicas envolvendo o petróleo venezuelano. O governo Trump afirma que a Venezuela teria “roubado” ativos de empresas americanas após a mudança na Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, em 2006, quando o então presidente Hugo Chávez garantiu maioria acionária da estatal PDVSA na exploração da Faixa do Orinoco. Empresas como Exxon Mobil e ConocoPhillips acionaram a Venezuela na arbitragem internacional, que determinou indenizações superiores a US$ 1 bilhão.
Durante a coletiva, Trump afirmou que a ação se insere na chamada “Doutrina Donroe”, apresentada como uma atualização mais dura da Doutrina Monroe. Segundo o presidente, a nova estratégia de segurança nacional busca reafirmar a dominância dos Estados Unidos no hemisfério ocidental, com foco na proteção de recursos estratégicos, comércio e território. “Estas são as leis de ferro que sempre ditaram o poder global”, afirmou.
O discurso adotado pelo governo americano também evidenciou uma mudança de tom em relação à retórica tradicional sobre democracia. Trump descartou apoiar figuras da oposição venezuelana como Maria Corina Machado e afirmou que não mantém diálogo com ela. Em contrapartida, disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, conversou com a vice-presidente Delcy Rodríguez, que teria se mostrado disposta a colaborar com os interesses norte-americanos, especialmente no setor petrolífero.
Trump afirmou ainda que tropas permanecerão em solo venezuelano para garantir a exploração do petróleo. Segundo ele, grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos deverão investir bilhões de dólares para reconstruir a infraestrutura do país e ampliar a produção, com o objetivo de exportar o petróleo para outros mercados.
A operação na Venezuela também foi apresentada como um modelo que pode ser replicado em outros países da região. Trump fez ameaças diretas ao México, à Colômbia e mencionou Cuba durante a coletiva. O presidente norte-americano voltou a acusar autoridades mexicanas de conivência com cartéis e afirmou que algo “terá que ser feito” em relação ao país. Também atacou o presidente colombiano Gustavo Petro, acusando-o de permitir a produção e o envio de cocaína aos Estados Unidos.
No Brasil, a reação oficial veio apenas na manhã deste sábado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou o sequestro de Maduro e afirmou que a ação remete aos “piores momentos da interferência na política da América Latina”. Segundo o assessor Celso Amorim, o governo brasileiro foi pego de surpresa pela operação.
Especialistas e jornalistas apontam que a justificativa do combate ao narcotráfico tem sido utilizada como principal pretexto para intervenções, dispensando inclusive a necessidade de aprovação do Congresso norte-americano. Para analistas, a aplicação da Doutrina Donroe indica uma política baseada em esferas de influência e interesses econômicos, com a Venezuela funcionando como um experimento inicial dessa nova estratégia.
A resposta internacional ao episódio foi considerada tímida por observadores. Para a jornalista venezuelana Luz Mely Reyes, a reação morna da comunidade internacional sinaliza apoio tácito à nova doutrina dos Estados Unidos. Analistas apontam que, sem uma reação coordenada, países da América Latina podem ficar ainda mais vulneráveis a intervenções sob o argumento de segurança e combate ao narcoterrorismo.