há 2 horas
Redação

Quando o cliente abre a torneira e a água não sai, a Sanepar já aciona uma operação que envolve profissionais especializados e tecnologias capazes de identificar rapidamente a causa do problema. Entre as equipes mobilizadas estão os agentes operacionais de perdas, responsáveis por localizar vazamentos ocultos que não são visíveis a olho nu, mas que impactam diretamente o abastecimento e o desperdício de água.
Esses profissionais atuam de forma discreta pelas ruas e contam com uma audição treinada para identificar ruídos específicos vindos do subsolo. O principal aliado nessa missão é o geofone, equipamento que amplifica os sons provocados pela água escapando das tubulações. Segundo o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, rompimentos fazem parte da rotina de qualquer empresa de saneamento, e o maior desafio está em localizar rapidamente esses vazamentos invisíveis para evitar perdas significativas.
Em Curitiba, Anderson Leocádio, Rubens Ferreira da Costa e Maurício André de Campos estão entre os chamados “caçadores de vazamentos”. Juntos, somam mais de 45 anos de experiência em um trabalho que exige silêncio, paciência, treinamento e apoio tecnológico. A água pode vazar a até 1,5 metro abaixo da superfície, escondida sob camadas de solo, brita, asfalto ou calçadas, o que torna a identificação ainda mais complexa.
De acordo com Leocádio, encontrar um vazamento pode levar dias de busca, já que a rede é invisível e apresenta diferentes características conforme a região. Após a localização exata do ponto danificado, o reparo costuma ser rápido: em média, de quatro a seis horas são suficientes para consertos em tubulações de menor porte. Enquanto isso, a Sanepar adota medidas alternativas para manter o abastecimento, como o uso de caminhões-pipa ou a setorização da distribuição de água, explica o gerente geral da companhia para Curitiba, Região Metropolitana e Litoral, Fabio Basso.
O trabalho dos agentes vai além da técnica. Rubens Ferreira da Costa destaca que a atuação também tem impacto social e ambiental, ao preservar um recurso essencial. Para diferenciar o som da água sob pressão de outros ruídos urbanos, os agentes dependem tanto da experiência quanto do geofone, que funciona como um estetoscópio do subsolo. O uso do equipamento exige cuidado, já que qualquer vibração externa pode interferir na escuta e até prejudicar a audição.
Por esse motivo, muitas das operações são realizadas à noite, quando o movimento da cidade diminui e o silêncio facilita a identificação dos vazamentos. A rotina noturna, no entanto, pode causar estranhamento entre moradores. Rubens lembra situações em que a presença de técnicos com hastes metálicas em frente às casas gerou desconfiança. Ainda assim, o aperfeiçoamento na função vem com o tempo: segundo Leocádio, levou cerca de um ano para se sentir plenamente preparado para a atividade.
Para Campos, cada dia traz um novo desafio, já que variam o tipo de solo, a rede e as condições das tubulações. A satisfação, segundo ele, está no momento em que o vazamento é finalmente encontrado. “Queremos que seja o quanto antes, mas sabemos que as variáveis são muitas. É um trabalho de adaptação constante”, afirma.