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Redação

O líder da Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e presidente do PT-PR, deputado Arilson Chiorato, criticou duramente a proposta do Governo Ratinho Jr. de vender a Celepar por R$ 1,3 bilhão. Em discurso realizado nesta terça-feira (10), durante sessão plenária, o parlamentar classificou a iniciativa como uma “liquidação” e afirmou que o valor não condiz com a importância estratégica e financeira da empresa pública.
Ao apresentar dados de contratos já assinados, Arilson destacou que a Celepar possui acordos em vigor que somam cerca de R$ 2,2 bilhões, o que, segundo ele, comprova que a empresa gera lucro e é financeiramente sustentável. O deputado afirmou ainda que quem adquirir a Celepar levará junto esses contratos públicos bilionários, além de outros que ainda não foram publicados, bem como patrimônio, estrutura, tecnologia e propriedade intelectual desenvolvida com recursos públicos.
Para reforçar a crítica ao valor da venda, o parlamentar dividiu o montante proposto pelo número de habitantes do Paraná, argumentando que o resultado evidencia a desvalorização do patrimônio público. Segundo ele, o valor corresponderia a aproximadamente R$ 110 por paranaense. “É isso que o governo acha que valem os seus dados, o seu CPF, o remédio que você toma, a escola do seu filho e o local onde o policial trabalha”, afirmou, defendendo que a venda da empresa nesses termos não faz sentido.
Arilson também alertou para os impactos da privatização no cotidiano da população. De acordo com o deputado, a Celepar é responsável por manter os sistemas que sustentam áreas essenciais do Estado, como saúde, educação, segurança pública e trânsito, incluindo prontuários médicos, matrículas escolares, registros policiais, CNH, multas e benefícios sociais. Com a venda, informações de 11,8 milhões de paranaenses passariam a ficar sob controle de uma empresa privada.
Na avaliação do parlamentar, a mudança representa um risco à responsabilidade do Estado sobre esses serviços. Ele comparou a situação à privatização da Copel, citando dificuldades no atendimento ao cidadão após quedas de energia. Na área da segurança pública, Arilson apontou preocupação ainda maior, afirmando que apenas 10% dos sistemas foram segregados até o momento, o que expõe dados sensíveis relacionados a policiais, investigações e operações.
O deputado também criticou a condução do processo pelo governo estadual, citando a pressa na renovação de contratos que venceriam apenas no fim do ano e a ausência de debate público. Segundo ele, órgãos de controle como o Tribunal de Contas e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados emitiram alertas formais sobre a necessidade de que os dados permaneçam sob controle efetivo do Estado, mas essas recomendações teriam sido ignoradas.
Ao encerrar o discurso, Arilson Chiorato afirmou que a privatização pode gerar mais custos no futuro, com a necessidade de reconstrução de data centers, sistemas e estruturas de segurança. Para o parlamentar, a medida não representa eficiência, mas sim irresponsabilidade. “Dado não é mercadoria. A Celepar é do povo. O Paraná não está à venda”, concluiu.