há 2 horas
Heryvelton Martins

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) procurou o governador Ratinho Jr (PSD) em dezembro, após um evento no Palácio Iguaçu, para tratar de uma possível aliança para a disputa estadual. Segundo relatos, Moro levou ao governador o pedido de apoio do grupo político hoje no comando do estado, já que Ratinho Jr está no segundo mandato e não pode concorrer novamente.
Segundo o Metrópoles, as informações apontam que o encontro foi solicitado por Moro, com base na relação institucional entre os dois, e ocorreu de forma reservada nos bastidores do governo. Ratinho Jr, porém, teria sido direto ao indicar que não há ambiente interno para que o PSD do Paraná embarque na candidatura do ex-juiz da Lava Jato ao Palácio Iguaçu.
Conforme os bastidores, Ratinho Jr teria citado ao menos dois motivos para rejeitar o apoio ao projeto de Moro. O primeiro ponto é a existência de um grupo político consolidado, que trabalha para lançar um sucessor próprio em 2026, com nomes do PSD e de partidos aliados já se movimentando pela indicação.
O segundo motivo envolve o histórico recente de enfrentamentos entre aliados do governador e o campo de Moro em disputas municipais. Ratinho Jr teria lembrado que o senador fez oposição ao seu grupo em Curitiba e em outras cidades relevantes nas eleições de 2024, o que hoje dificultaria qualquer gesto de apoio à sua candidatura ao governo.
Os desdobramentos da eleição de 2024 em Curitiba aparecem como um dos principais focos de mágoa do governador. Naquele pleito, setores do União Brasil chegaram a defender o apoio à candidatura de Eduardo Pimentel (PSD), nome de confiança de Ratinho Jr, mas a articulação acabou travada internamente.
Relatos de bastidores atribuem a Moro o veto à aliança com Pimentel e a decisão de bancar a chapa própria com Ney Leprevost (União Brasil) para prefeito e Rosângela Moro como vice, que terminou o primeiro turno em quarto lugar. No segundo turno, já fora da disputa, Moro declarou apoio público à jornalista Cristina Graeml (então no PMB), adversária direta do grupo de Ratinho Jr, que acabou derrotada por Pimentel.
Com esse acúmulo de atritos, lideranças próximas ao governador avaliam que uma costura política com Moro se tornou improvável, mesmo com o senador aparecendo à frente nas pesquisas para o governo do estado. Ao mesmo tempo, o entorno de Ratinho Jr trabalha para fortalecer um nome da própria base, enquanto o Progressistas, aliado do governo, já vetou a candidatura de Moro dentro da federação com o União Brasil, o que apertou ainda mais o caminho do senador.
Ainda assim, Moro mantém o discurso de que segue pré-candidato e aposta justamente na boa posição nas sondagens de opinião para tentar preservar seu espaço na corrida ao Palácio Iguaçu.