há 2 horas
Heryvelton Martins

Uma reunião extraordinária do Conselho Municipal de Saúde (CMS), realizada no final de dezembro, transformou-se em um campo de batalha de argumentos sobre o novo modelo de castrações de animais em Ponta Grossa. O foco da disputa é o contrato de terceirização dos serviços do Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR).
Durante a sessão, o conselheiro Cleiber Marcio Flores afirmou que a resistência de parte dos profissionais locais seria motivada por interesses financeiros. Segundo ele, clínicas que recebiam cerca de R$ 660,00 por procedimento estariam reagindo à nova licitação, que reduziu o valor para aproximadamente R$ 193,00. Cleiber chegou a declarar que alguns não queriam "perder a mamata".
Em contrapartida, um grupo de médicos veterinários e especialistas, como o Dr. Lorenzo e a Dra. Miriam, refutou a narrativa financeira.
Eles alegam que o edital foi "copiado" de outros municípios e que o protocolo anestésico da empresa vencedora é insuficiente, oferecendo risco de dor e sofrimento aos animais durante cirurgias invasivas. Os profissionais relataram ainda que foram pejorativamente chamados de "máfia dos veterinários" em reuniões anteriores na Prefeitura.
O Conselho Municipal de Saúde Animal e o próprio CMS apontaram possíveis vícios formais no processo licitatório. Entre as principais críticas estão:
Falta de critérios técnicos: Ausência de exigências claras para anestesistas e equipamentos de monitoramento.
Estrutura precária: Questionamentos se a empresa externa possui estrutura física adequada e equipe completa em solo local.
Revelia do Conselho: O edital teria sido conduzido sem a devida escuta dos órgãos deliberativos.
O caso agora está sob análise da justiça e do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV). O CMS aprovou, por unanimidade, a criação de um dossiê com protocolos e autorizações de funcionamento para subsidiar uma análise jurídica profunda.
Além das pautas polêmicas, a reunião marcou a posse da Mesa Diretora para 2026. Jefferson Leandro Gomes Palhão (representante da CUT) foi reeleito presidente por aclamação, tendo Adriana Antunes dos Santos como vice-presidente.