há 3 horas
Edilson Kernicki

Com exclusividade ao D'Ponta News e ao programa Ponto de Vista, apresentado por João Barbiero e levado ao ar pela Rede T de rádios neste sábado (24), a ministra da Secretaria de Relações Institucionais do Brasil, Gleisi Hoffmann, comentou a decisão em concorrer ao Senado nas Eleições 2026. O plano inicial era de que Gleisi disputasse ao cargo de deputada federal pelo Paraná. O candidato ao Senado seria, a princípio, Enio Verri.
A mudança estratégica foi definida pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. "Atendi a um pedido do presidente Lula. Ele está fazendo uma avaliação de que tem que colocar, nos estados, para concorrer todos os nomes mais fortes que tem dentro do partido e do campo político, dos partidos que coligaram conosco desde 2018", justifica.
Essa avaliação tem sido feita individualmente em cada estado, segundo a ministra. "Ele sabia que eu estava com uma candidatura a deputada federal. Até me disse: 'Sei que você tem uma candidatura que está praticamente eleita - claro que ninguém ganha antes das eleições - mas uma candidatura bem encaminhada. Mas eu acho que você tem que assumir a disputa de um cargo majoritário no Paraná, pela tua história no estado, em que você já foi [senadora], por estar à frente de bandeiras importantes. Você já foi ministra duas vezes - uma vez com a Dilma e, agora, comigo, já presidiu o PT, foi diretora financeira de Itaipu, tem um histórico de lutas no estado e no Brasil. É o melhor nome que temos para lançar candidatura majoritária e conversar com a população do estado", acrescenta Gleisi.
"Estou muito animada com essa candidatura ao Senado, ela tem muitas possibilidades de ser construída. É um cenário bem desafiador, mas um cenário bom para a gente trabalhar. Então, a partir de agora, obviamente, vou conversar com lideranças políticas, agentes políticos, também com o povo do Paraná, com nosso campo político", frisa. Gleisi afirma estar bastante otimista com os pré-candidatos do PT paranaense e das demais siglas que têm se aliado a ele.
Neste ano, cada estado elege dois senadores, com 54 das 81 vagas em disputa. Direto de Brasília, para onde retornou após acompanhar o presidente Lula em compromissos em Maceió (AL) e Salvador (BA), a ministra antecipou que virá ao Paraná na próxima semana.
Gleisi deve deixar o cargo de ministra em março, atendendo ao prazo para desincompatibilização do cargo para poder disputar eleições. "No final de março, volto para a Câmara e aí começamos uma caminhada mais efetiva no estado, para falar com as mulheres, falar com a turma da Educação, da Saúde, com os trabalhadores, as trabalhadoras. Temos ainda muita coisa para apresentar que foi feita no governo do presidente Lula, muitas lutas que nós fizemos e muitas que tem por vir. Acho que tenho condições de contribuir, nesse sentido, com a população do Paraná", afirma.
Reforço a outras candidaturas
A ministra, que já foi senadora de 2011 a 2019, chegou a ser mencionada espontaneamente na sondagem eleitoral para o Senado realizada pela Paraná Pesquisas, de 18 a 22 de janeiro, antes mesmo de confirmar a intenção de candidatar-se ao cargo. "Não fiz ainda nenhuma movimentação para o Senado. As pessoas não sabiam que eu poderia ser candidata ao Senado. Estava preparando minha campanha para deputada federal, ajudando nossa chapa. Acho que o PT no Paraná pode, hoje, fazer seis deputados federais. Temos cinco e temos condições de fazer seis. Isso mostra que tem uma relação com o Estado, com o eleitorado de esquerda e centro-esquerda", ressalta.
Gleisi avalia, também, que a mudança de estratégia fortalece outras candidaturas do PT e de partidos coligados à Câmara dos Deputados, por acreditar que boa parte dos votos que receberia como candidata a deputada federal serão transferidos a outros candidatos da chapa. "Uma parte dos meus votos, com certeza, vai ser dirigida aos candidatos do PT. Disso eu não tenho dúvidas, não. Sempre tive, também, muito voto de opinião, até pela luta política que fiz durante todos esses anos, contraponto, defesa do presidente Lula, defesa das nossas pautas, então sempre tive muito voto de opinião e esse voto, com certeza, vai ser redistribuído entre as candidaturas do PT, de esquerda, de centro-esquerda, o que vai ajudar nossa chapa", analisa a pré-candidata. "Espero que consigamos fazer seis deputados federais no Paraná", estima.
Governo do Estado
Gleisi confirma, ainda, que o PT não terá candidato próprio e deve apoiar a candidatura do deputado estadual Requião Filho - que trocou a legenda pelo PDT - ao Governo do Paraná. "Já conversamos com ele e nossos companheiros do PDT e estive com Lupi [Carlos Lupi, presidente nacional do PDT]. Acho que a candidatura do Requião Filho é uma candidatura forte, importante. Ele é jovem, conhece muito bem o estado, tem a experiência de fazer a defesa na Assembleia Legislativa (ALEP) e também por ter acompanhado o pai [Roberto Requião], que governou o estado [em três mandatos: 1990-1994; 2003-2006; 2007-2010]. Avaliamos que é o melhor perfil e queremos fazer essa coligação com o PDT", explica.