há 2 horas
Heryvelton Martins

A audiência de conciliação entre o Sintropas (Sindicato dos Motoristas, Cobradores e Trabalhadores em Empresas de Transporte) e a Viação Campos Gerais (VCG) terminou sem acordo na tarde desta segunda-feira (23). O processo de dissídio coletivo agora segue para apreciação e julgamento do mérito pela Seção Especializada do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-9).
O principal ponto de divergência entre as partes é o reajuste salarial e do vale-alimentação. O Sintropas exige a reposição da inflação (INPC) somada a um ganho real de 8% para um acordo de um ano.
Durante a sessão, os representantes dos trabalhadores informaram que a categoria rejeitou propostas inferiores em assembleias anteriores e exige um aumento real imediato para recuperar perdas financeiras passadas. Por outro lado, a VCG propôs um acordo com validade de dois anos. A oferta patronal inclui a variação do INPC e um ganho real de 1,51% ao ano.
A empresa argumenta que um reajuste maior em apenas um ano compromete a previsibilidade orçamentária e depende de subsídios da Prefeitura de Ponta Grossa, fator com impacto direto no cálculo da tarifa do transporte coletivo. Para um acordo de apenas 12 meses, a concessionária oferece somente a reposição do INPC.
Um fator decisivo para o impasse é a insatisfação interna. Trabalhadores alegam que rejeitaram as propostas porque o sindicato vinculou o acordo a uma contribuição sindical mensal por dois anos. Com a previsão de INPC em 4,49% e a oferta de aumento real de 1,51%, o desconto de 1% do salário ao mês para o sindicato reduz o ganho real da categoria para cerca de 0,5% na prática. Devido ao formato adotado pelo Sintropas nas assembleias, um grupo de rodoviários coletou 247 assinaturas em protesto contra a medida.
O desembargador do Trabalho Benedito Xavier da Silva, que conduziu a sessão telepresencial, aconselhou a manutenção do diálogo entre as partes para evitar os desgastes de um julgamento judicial. Apesar do encaminhamento do processo para a Seção Especializada, tanto o sindicato quanto a VCG declararam em ata que as portas continuam abertas para novas rodadas de negociação.
O TRT-9 concedeu prazo de dez dias para o Sintropas se manifestar oficialmente sobre a defesa da empresa.
De acordo com as orientações finais do juiz e os documentos do processo, o caminho jurídico agora é o seguinte:
Prazo para o sindicato: O tribunal concedeu um prazo de 10 dias para o Sintropas apresentar a impugnação (resposta oficial) à defesa da Viação Campos Gerais.
Produção de provas e razões finais: Na sequência, o juiz informou que o tribunal deve abrir prazo para manifestações sobre eventuais novas provas e para as razões finais de ambas as partes.
Julgamento do mérito: Após o fim dessa fase de instrução e conciliação, o processo sai da Vice-Presidência e vai para distribuição. Um desembargador da Seção Especializada do TRT-9 assumirá o caso para a apreciação do mérito e o julgamento final do dissídio coletivo.