há 2 horas
Carlos Solek

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) publicou, nesta sexta-feira (23), uma nota repudiando as falas do vereador Paulo Balansin (União Brasil) sobre cotas em cursos superiores de ensino.
A polêmica deu início após o vereador comentar em uma rede social sobre o fim das cotas em universidades estaduais de Santa Catarina. Em resposta a uma publicação da Folha de S.Paulo sobre o tema, o parlamentar utilizou termos ofensivos para se referir aos beneficiários da política afirmativa. O D'Ponta News trouxe o caso à tona durante a tarde de hoje, leia mais aqui.

A reação do parlamentar refere-se à sanção de uma lei pelo governo catarinense que proíbe a exigência de cotas raciais em instituições de ensino superior do estado vizinho. O texto de Balansin associa diretamente os estudantes que ingressam por meio do sistema de reserva de vagas à ociosidade e à "malandragem".
A UEPG, na nota, destacou que adota o sistema de cotas desde 2007, com 60% das vagas destinadas a cotistas (negros, pessoas com deficiência e oriundos de escolas públicas). Veja a nota:
A Universidade Estadual de Ponta Grossa tem orgulho de ser cotista. A distribuição de vagas nos processos seletivos foi implementada em 2007 e vem promovendo a equidade no acesso ao ensino público superior. Por meio desta ação afirmativa, centenas de alunas e de alunos tiveram a chance de construir trajetórias acadêmicas de sucesso, ajudando a Universidade a ser a grande instituição que ela é hoje. Formados, eles têm suas vidas e as de suas famílias transformadas, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade como um todo.
Atualmente, as vagas nos 40 cursos de graduação da UEPG são divididas em: 5% para candidatos com deficiência; 5% para candidatos que se autodeclarem negros; 10% para candidatos que se autodeclarem negros oriundos de Instituições Públicas de Ensino; 40% aos candidatos oriundos de Instituições Públicas de Ensino.
A UEPG reitera o seu compromisso com a política de cotas, que é uma forma de reparação histórica e de justiça social, que visa diminuir as desigualdades estruturais, garantindo acesso à educação superior a grupos sub-representados. As cotas devem ser mantidas e defendidas por todos aqueles que acreditam num futuro melhor para o Brasil e para os brasileiros.
Assim, a UEPG repudia veemente todo e qualquer ataque a esta política, tal como foi feito pelo vereador Paulo Balansin (União Brasil de Ponta Grossa) que, para além de ser equivocado, é extremamente desrespeitoso para com os nossos estudantes e com a Universidade.
Recentemente, o curso de Medicina da UEPG ficou entre os melhores do país, e ele também é composto por alunos que ingressaram por este sistema. Não há prova mais contundente da qualidade de nossos estudantes e da eficácia das cotas.