há 6 dias
Patrícia Ecave

Símbolo de Prosperidade e Alegria: O vinho, por ser feito a partir das uvas, é universalmente associado à abundância e à fartura. Na virada do ano, a bebida é vista como um convite para começar o novo ciclo com energia e entusiasmo.
A Tradição das Borbulhas: O espumante tornou-se a escolha clássica para o brinde da meia-noite. As inúmeras borbulhas (perlage) que sobem na taça simbolizam a efervescência da vida, alegria e a realização de bons desejos.
Uvas da Sorte: Embora não seja o vinho em si, a tradição de comer 12 uvas (que dão origem ao vinho) à meia-noite é muito popular em países como Espanha e Portugal, e também no Brasil. Acredita-se que comer uma uva a cada badalada do relógio nos 12 primeiros segundos do ano traz sorte e felicidade para cada um dos doze meses seguintes.
Renovação Espiritual: Em muitas culturas e tradições cristãs, o vinho simboliza a sabedoria e a vida. O ato de compartilhar a bebida durante as celebrações de fim de ano representa a união, a gratidão pelo ano que passou e a esperança pelo que está por vir.
Brinde com Taças de Cristal: Uma simpatia popular sugere consumir o vinho em taças de cristal na virada do ano. Acredita-se que o cristal tem a capacidade de purificar as energias espirituais, garantindo um começo de ano mais leve e positivo.
Vinho do Porto em Portugal: Em Portugal, é comum as famílias brindarem a passagem de ano com um cálice de vinho do Porto, um vinho fortificado e licoroso, que representa a doçura e a riqueza para o novo ano.
Essas tradições mostram como o vinho vai além de uma simples bebida, sendo um elemento central em rituais que marcam a transição e a esperança de um futuro melhor.
É importante destacar que os espumantes existem em classificações residuais de açúcar diferentes, isto é, os tipos de espumantes variam principalmente pela doçura, indo do mais seco (Nature/Brut Nature) ao mais doce (Doux/Doce), confira:
Nature (ou Brut Nature): Menos de 3g/L de açúcar, sem adição.
Extra Brut: Baixíssimo teor de açúcar, até 6g/L.
Brut: Seco, até 12g/L.
Extra Dry (ou Extra Sec): Um pouco mais doce que o Brut, de 12 a 17 g/L.
Sec (ou Seco): Mais doce, de 17 a 32 g/L.
Demi-Sec: Doce, de 32 a 50 g/L.
Doux (ou Doce): O mais doce, acima de 50 g/L.

Diferentes regiões do mundo produzem espumantes com características distintas, frequentemente protegidas por denominações de origem controlada (DOC ou AOC) e utilizando métodos de produção específicos.
Champagne (França): É o mais famoso e só pode ser chamado assim se produzido na região de Champagne, na França. Utiliza o método tradicional (ou Champenoise), com segunda fermentação na própria garrafa, e uvas como Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.
Crémant (França): é um vinho espumante francês de alta qualidade, produzido fora da região de Champagne, mas utilizando o mesmo "método tradicional" (ou champenoise) do Champagne, com segunda fermentação na garrafa, resultando em borbulhas finas e complexidade, sendo uma alternativa mais acessível e versátil, vindo de regiões como Alsácia, Borgonha, Limoux e Loire, com uvas e regras regionais específicas. Pode usar uvas locais variadas (Pinot Blanc, Chenin Blanc, Pinot Noir, Chardonnay, etc.), dependendo da região, ao contrário do Champagne, que foca em poucas castas.
Destaco que Limoux produz dois espumantes principais: o Blanquette de Limoux que é o estilo mais antigo e tradicional, feito com pelo menos 90% da uva Mauzac. O Crémant de Limoux: Criado em 1990 para um estilo mais moderno e internacional, priorizando a Chardonnay e Chenin Blanc.
Prosecco (Itália): Produzido principalmente nas regiões de Vêneto e Friuli-Venezia Giulia, na Itália, utilizando no mínimo 85% da uva Glera. A segunda fermentação ocorre em grandes tanques de aço inoxidável (método Charmat), resultando em um perfil mais frutado e perlage (borbulhas) mais suave.
Franciacorta (Itália) é um prestigiado espumante italiano de método clássico (similar ao Champagne), produzido na região homônima da Lombardia, na Itália, com status DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), utilizando uvas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Blanc, e é conhecido como "o champagne italiano" por sua qualidade e processo de elaboração rigoroso, com envelhecimento em leveduras por no mínimo 18 meses.
Cava (Espanha): Espumante espanhol, majoritariamente da região de Penedès, na Catalunha. Assim como o Champagne, é feito pelo método tradicional (segunda fermentação na garrafa), utilizando uvas nativas como Macabeo, Xarel·lo e Parellada, além de Chardonnay e Pinot Noir.
Sekt (Alemanha): o espumante alemão é conhecido por ser leve, fresco e acessível, com uma grande variedade de estilos (secos a doces) e uvas (como Riesling e Pinot Blanc (Pinot Branco), Pinot Gris (Pinot Gris) e Pinot Noir (Pinot Preto), frequentemente produzido pelo método Charmat (tanque). Pode ser classificado como Deutscher Sekt (feito 100% com uvas alemãs) ou Winzersekt (de pequenos produtores, feito com uvas de uma única safra e região, seguindo o método tradicional).
Txakoli: são vinhos tranquilos e também espumantes produzidos no País Basco, no caso de espumantes são com baixo teor alcoólico, geralmente entre 9,5% e 11,5%, apresenta um "pico" de gás, não borbulhas persistentes como um espumante, geralmente elaborados com a uva Hondarribi Zuri.
Moscatel: são vinhos tranquilos e espumantes elaborados a partir de uvas Moscato, preserva um nível mais alto de açúcares naturais, sendo leve, aromático e adocicado, bastante consumido para quem esta iniciando seus conhecimentos no mundo do vinho.
Pét-Nat (Pétillant Naturel): é originário da França, mas, produzido globalmente, usa o Método Ancestral, com uma única fermentação que termina na garrafa, resultando em bolhas mais rústicas, turbidez (borra) e sabores frescos, sem adição de leveduras ou açúcar para a segunda fermentação; já o espumante tradicional (Método Champenoise/Tradicional) passa por duas fermentações, com adição de licor de tiragem (açúcar e leveduras) na garrafa, gerando mais complexidade, borbulhas finas e um vinho mais límpido após o dégorgement (remoção da borra).
Sidra: é consumida em muitos países, a principal diferença é a matéria-prima: espumante é vinho feito de uva, com gás carbônico da fermentação do vinho base, enquanto a sidra é um fermentado de maçã (ou pera), leve e frutado, com teor alcoólico geralmente menor. Espumantes são vinhos que passam por uma segunda fermentação, resultando em borbulhas finas e complexidade, já a sidra é mais simples, sendo uma bebida fermentada da fruta.
Espumantes Nacionais (Brasil): O Brasil produz espumantes de alta qualidade, incluindo opções Nature, Brut e Moscatel, que vem se destacando cada vez mais no mercado com rótulos premiados internacionalmente.
A escolha do espumante ideal depende da preferência pessoal por doçura e do tipo de harmonização desejada, desde aperitivos leves com um Nature ou Extra Brut até sobremesas com um Moscatel.

Muito quente: Perde o frescor, as borbulhas (perlage) se dissipam rápido, e os aromas ficam exagerados/desagradáveis.
Muito frio: Apaga os sabores e pode tornar o gás agressivo, prejudicando a experiência sensorial.
A temperatura ideal para servir espumante é entre 6°C e 8°C, para manter o frescor, as borbulhas e os aromas, sendo que espumantes mais leves (Charmat, Moscatel) ficam ótimos nessa faixa, enquanto os mais estruturados (Tradicional, Rosés) podem ir para 8°C a 10°C.
Espero poder ter ajudado, que o novo ano seja repleto de luz, paz e saúde, onde cada dia traga a possibilidade de valorizarmos ainda mais o que nos faz felizes e onde as conquistas, grandes e pequenas, se multipliquem para que tenhamos muitos motivos para celebrar e brindar à vida!