há 2 horas
Amanda Martins

No mesmo dia em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro ironizou, na terça-feira (20), o peso político do chefe do Executivo paulista na disputa pelas vagas ao Senado em 2026. Em jogo estarão duas cadeiras por estado.
Falando a partir dos Estados Unidos, Eduardo reagiu a análises que apontam que ele estaria “atrapalhando” a estratégia da direita em São Paulo. Segundo ele, quem tem votos pode, sim, opinar sobre a transferência desse capital político. “Então, quem tem o voto não pode dar sugestão de quem ele quer transferir o voto? Eu tenho que pedir bênção pro Tarcísio?”, questionou.
Segundo o Metrópoles, o filho do ex-presidente afirmou, em mais de uma ocasião, que qualquer definição sobre as vagas ao Senado passa antes por ele, usando a expressão “combinando com os russos” para se referir às negociações internas. Eduardo também destacou que Tarcísio, filiado ao Republicanos, não o procurou durante uma viagem de negócios aos Estados Unidos, em maio do ano passado.
Eduardo Bolsonaro contestou ainda a versão de que a prioridade dos aliados seria a pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP) ao Senado, com a outra vaga reservada a um nome do PL. Ele elogiou Derrite e ressaltou o desempenho do ex-secretário de Segurança Pública, mas afirmou que a palavra final sobre a composição caberia a ele.
Ao longo do vídeo, o ex-deputado mandou recados indiretos a aliados de Tarcísio, sem citar nomes, afirmando que não aceitará imposições, coação ou chantagem. Em tom irônico, comparou a situação a vítimas de Stálin e disse que não agradeceria por concessões parciais. Para Eduardo, ele seria o “dono dos votos” no campo político que representa.
O filho de Jair Bolsonaro afirmou que todos os nomes ventilados até agora têm qualificação, inclusive de outros partidos, mas destacou como de sua confiança o deputado estadual Gil Diniz (PL) e a vereadora Sonaira Fernandes (PL). Segundo ele, esses nomes estariam sendo vistos como entraves por setores que defendem Tarcísio como presidenciável da direita, em vez do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Eduardo também sugeriu a inclusão do deputado federal Mario Frias (PL) no grupo de possíveis candidatos ao Senado. “Por que não?”, questionou. Ao final, afirmou que as críticas às suas articulações partem de grupos que desejariam retirar seus aliados do poder e negou que esteja dificultando as negociações, dizendo que elas seguem em andamento.