há 2 horas
Heryvelton Martins

A Posco Engenharia e Construção do Brasil, subsidiária da gigante sul-coreana Posco, protocolou pedido de autofalência na Justiça do Ceará. A empresa deixa um passivo bilionário e uma lista de bens que surpreende pela escassez. Entre os ativos declarados para quitar as dívidas, a construtora apresentou apenas R$ 109,80 em conta bancária e um Ford Fusion quebrado.
A companhia foi responsável pela construção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), uma das maiores obras privadas da história do Ceará. O contrato original superou os US$ 5,5 bilhões (aproximadamente R$ 28 bilhões). Apesar do pagamento integral pelo serviço, a Posco encerrou as atividades em 2016 sem quitar compromissos com fornecedores, trabalhadores e o fisco.
No pedido de autofalência, realizado em setembro de 2025, a empresa alegou “crise insanável”. A medida judicial suspende as cobranças individuais e concentra os processos. Oficialmente, a Posco reconhece uma dívida de R$ 644 milhões, sendo a maioria (R$ 573,5 milhões) relativa a passivos trabalhistas.
Contudo, credores e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contestam os valores. Eles estimam que o total da dívida ultrapasse R$ 1 bilhão. A indignação aumenta diante da lista de bens apresentada para o pagamento:
Um terreno em São Gonçalo do Amarante (CE), avaliado em R$ 1,1 milhão;
R$ 4,8 mil em aplicações financeiras;
R$ 109,80 em conta corrente;
Um veículo Ford Fusion, ano 2015/2016, sem funcionamento e com diversas multas.
Diante da insuficiência de recursos da filial brasileira, uma decisão judicial autorizou que as cobranças alcancem os bens da matriz na Coreia do Sul. A medida visa garantir o pagamento aos credores e evitar que a manobra jurídica resulte em prejuízo generalizado.
A usina CSP, foco do contrato original, pertence à ArcelorMittal desde 2023. A atual proprietária não tem relação com o passivo deixado pela construtora sul-coreana.