há 2 horas
Heryvelton Martins

O novo regime tarifário dos Estados Unidos, em vigor desde a última segunda-feira (24), isenta 46% das exportações brasileiras, equivalente a US$ 17,5 bilhões, segundo balanço do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Essa medida segue decisão da Suprema Corte americana, que invalidou tarifas unilaterais impostas por Donald Trump, reduzindo alíquotas que antes chegavam a 50% para cerca de 22% das vendas nacionais.
Outros 25% das exportações, no valor de US$ 9,3 bilhões, sujeitam-se à tarifa global de 10% pela Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, com possibilidade de elevação a 15%, enquanto 29% (US$ 10,9 bilhões) mantêm tarifas setoriais da Seção 232, como sobre aço e alumínio. Antes das mudanças, o Brasil enfrentava sobretaxas elevadas em produtos chave, impactando a competitividade após imposições iniciais em 2025.
Aeronaves brasileiras, terceiro principal item exportado aos EUA em 2024 e 2025, passam de 10% para tarifa zero, destacando-se pelo alto valor agregado e tecnologia embarcada, conforme o Mdic. Essa exclusão beneficia diretamente a Embraer e o setor aeroespacial nacional.
Setores industriais como máquinas, equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, químicos e rochas ornamentais saem de alíquotas de até 50% para 10% (ou 15%). No agro, pescados, mel, tabaco e café solúvel ganham alívio similar, ampliando acesso ao mercado americano. O Mdic projeta maior isonomia frente a concorrentes globais.
A corrente comercial Brasil-EUA atingiu US$ 82,8 bilhões em 2025, com exportações brasileiras de US$ 37,7 bilhões e déficit de US$ 7,5 bilhões. Estudo da Global Trade Alert previa o Brasil como principal beneficiado pelas tarifas globais, com queda média de 13,6% nas alíquotas.