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Amanda Martins

A Receita Federal estima arrecadar cerca de R$ 200 bilhões em 2026 com a chamada “cobrança amigável”, estratégia que prioriza a autorregularização de contribuintes com débitos tributários e busca reduzir disputas administrativas e judiciais. A expectativa foi apresentada nesta quinta-feira (22) pelo secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, e integra o plano do governo para ampliar a arrecadação sem elevar impostos.
Segundo o Metrópoles, a iniciativa representa uma mudança de postura do fisco, que passa a atuar de forma mais preventiva e orientadora, antecipando problemas e estimulando o pagamento espontâneo de tributos antes da abertura de processos. A avaliação é de que litígios administrativos e judiciais são mais caros e demorados para o Estado, além de sobrecarregarem o sistema.
Em 2025, as medidas de conformidade tributária renderam R$ 177,5 bilhões aos cofres públicos, superando os R$ 171,2 bilhões arrecadados em 2024. Para 2026, a projeção é de novo crescimento, impulsionado pela ampliação dos mecanismos de autorregularização e pelo uso mais intensivo de bases de dados para identificar inconsistências fiscais.
O plano da Receita Federal prevê tratamento mais cooperativo para contribuintes que cometeram erros ou deixaram de recolher tributos de forma não intencional. Em contrapartida, a atuação será mais rigorosa contra devedores contumazes, considerados reincidentes e estratégicos na inadimplência, estratégia que, segundo o órgão, é fundamental para aumentar a eficiência da cobrança e melhorar o ambiente de negócios.
A estimativa de arrecadação ocorre em um momento de forte pressão para o cumprimento das metas fiscais do novo arcabouço, especialmente em 2026, quando a equipe econômica trabalha com a previsão de superávit primário. Diante da resistência do Congresso a novos aumentos de impostos, a recuperação de créditos e o reforço da conformidade tributária são vistos como caminhos centrais para o equilíbrio das contas públicas.