Domingo, 24 de Outubro de 2021
foto: Clebert Gustavo

Urgente: HU-UEPG fecha leitos COVID-19 sem avisar população e mantém boletins com números errados em divulgações

08/10/2021 às 15:27

A Secretaria Estadual de Saúde, juntamente com a Universidade Estadual de Ponta Grossa, desativou mais 13 leitos de UTI e 10 leitos clínicos da ala COVID-19 do HU-UEPG. A informação foi obtida com exclusividade pela reportagem D’Ponta News que teve acesso a um ofício encaminhado ao diretor clínico do hospital, dr. Ricardo Zanetti Gomes, no dia 30 de setembro de 2021, assinado pelo diretor de Gestão de Saúde, Vinícius Augusto Filipak. A desativação aconteceu, segundo o ofício 345/2021 (leia ao final da reportagem), no dia 01 de outubro de 2021.

Segundo o documento, a desativação aconteceu devido à ocupação de 54% de leitos de UTI e 31% de leitos clínicos, na Macro Região Leste, e estaria de acordo com deliberação do SUS. Antes, o hospital disponibilizava 36 UTIs Covid-19, passando para um número de 23 leitos. Já na área clínica, estavam disponíveis 48 leitos, restando, agora, 38.

Apesar da desativação ter acontecido último dia 1º, segundo o documento, nos boletins disponibilizados à imprensa pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, o número de leitos clínicos e de UTI não sofreram alteração, conforme imagens abaixo disponibilizadas pela Instituição.

No dia 2 de outubro, de acordo com o que foi informado, os leitos de UTI COVID (ainda marcando 36 porém já estando disponíveis apenas 23) atingiram 103% de ocupação. Informações recebidas pelo D’Ponta News dão conta de que pacientes de Ponta Grossa estariam sendo transferidos para Telêmaco Borba e outras cidades por falta de leitos no HU-UEPG.

Nos últimos quatro dias Ponta Grossa registrou, segundo a Prefeitura Municipal, um total de 258 novos casos e nove mortes ocasionadas em decorrência da COVID-19.

No final de agosto, o HU-UEPG já havia anunciado uma redução no número de leitos clínicos e de UTI da ala COVID-19. (leia a reportagem clicando aqui)

No dia 24 de setembro, o HU-UEPG anunciou a suspensão do pronto atendimento infantil do HUMAI (antigo PAI / Hospital da Criança) transferindo os serviços de urgência e emergência para a UPA Santa Paula. (leia a reportagem clicando aqui)

O D’Ponta News entrou em contato com a CCOM UEPG e também a comunicação da Secretaria Estadual de Saúde sobre a situação da diminuição de leitos e questionou:

-Por que houve o fechamento dos leitos?

– Por que a informação não foi divulgada publicamente pela SESA e pela UEPG?

– Por que os boletins distribuídos pela UEPG mantiveram o número de leitos anteriores, repassando informação equivocada à imprensa e, consequentemente, à população?

– Qual a real situação dos leitos e a lotação clínica, PA e UTI, da ala COVID-19, do HU-UEPG?

– Como a SESA e a UEPG avaliam o fechamento dos leitos, uma vez que no último sábado, 2, a UTI COVID atingiu 103% de lotação, ainda anunciando 36 leitos?

Até o fechamento desta reportagem a comunicação da SESA não havia se manifestado. A UEPG respondeu ao questionamento afirmando que “haverá nota pública sobre o tema em breve”.

Clique aqui e leia o ofício completo.

 

ATUALIZAÇÃO ÀS 16h30

Após a publicação da reportagem pelo D’Ponta News, a UEPG se manifestou em uma nota informativa. Apesar do ofício determinar que as mudanças a partir do dia 1º de outubro e fontes confirmarem que as alterações já estão em vigor no HU-UEPG, a nota informa que a redução da ala COVID-19 acontecerá no sábado, 9.

 

Confira a nota na íntegra.

NOTA INFORMATIVA: A Universidade Estadual de Ponta Grossa, por meio de seu Hospital Universitário, informa que a partir de sábado (09), por determinação da Secretaria Estadual de Saúde, reorganiza a estrutura de leitos disponíveis para pacientes com Covid-19. A decisão da Sesa, em 01 de Outubro de 2021, foi embasada na diminuição das taxas de ocupação dos leitos na macrorregião, tendo em vista o avanço da vacinação contra a doença e acontece após período de transição.

Agora, passado o tempo necessário para readequação interna, o HU-UEPG passa a contar com 70 leitos para Covid-19 (04 leitos de emergência, 05 leitos de observação no Pronto Atendimento, 38 leitos clínicos e 23 leitos de UTI) e segue com 104 leitos para outras enfermidades (06 leitos de emergência, 10 leitos de observação no Pronto Atendimento, 11 leitos de Clínica Médica, 50 leitos de Clínica Cirúrgica e 20 leitos de UTI). Parte dos leitos antes destinados à Covid-19 está sendo remanejada para leitos de uso geral.

A UEPG reforça a importância da vacinação e a manutenção dos cuidados de distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos para o controle da pandemia.

ATUALIZAÇÃO 17h40

Às 17h37, a Sesa respondeu os questionamentos da reportagem.

Confira na íntegra.

Os leitos exclusivos Covid são mantidos enquanto houver necessidade e o parâmetro de avaliação é de toda a macrorregião. Quando a ocupação está diminuindo na macrorregião, os leitos devem ser desativados para que sejam revertidos para o atendimento de outras doenças que também precisam de leitos hospitalares, incluindo a retomada de procedimentos cirúrgicos eletivos. Este equilíbrio entre os atendimentos é de responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e a redução de leitos em Ponta Grossa foi feita em comum acordo com a direção do hospital.

Quanto aos dados de divulgação por parte da unidade hospitalar, estes competem somente ao próprio serviço, não sendo, de nenhum modo, responsabilidade da Sesa, considerando que os dados oficiais desta pasta são divulgados diariamente no portal coronavirus.pr.gov.br com as informações de leitos ativos, ocupados e disponíveis. Portanto, o questionamento relacionado à informação divulgada pela UEPG deve ser direcionado exclusivamente ao hospital.

Nenhuma cidade do Paraná ficará com leitos ociosos enquanto houver necessidade de atendimento para as demais urgências. É uma obrigação do gestor utilizar os leitos da melhor forma possível para toda a população. Se algum paciente na região precisar de um leito exclusivo para Covid-19 ele será direcionado até outro serviço, visto que a Sesa possui uma Central de Regulação de Leitos e uma ampla rede hospitalar onde são concentrados os pedidos de transferências de pacientes entre os serviços de saúde. Este remanejamento de pacientes é comum e pode ocorrer dentro das macrorregiões ou entre as macros, de acordo com a disponibilidade de leitos e visando um melhor e pronto atendimento ao paciente. Ressaltando também que a internação de pacientes suspeitos ou confirmados Covid pode ser feita em qualquer leito hospitalar, não é necessário ser leito exclusivo para Covid. Muitos hospitais sem leitos exclusivos também internam pacientes Covid regularmente, sem nenhum prejuízo técnico.