há um dia
Amanda Martins

Os corpos dos integrantes da banda Mamonas Assassinas, Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, serão exumados 30 anos após o trágico acidente aéreo que vitimou o grupo no auge da fama. De acordo com o Metrópoles, a exumação está marcada para segunda-feira (23).
Segundo familiar de um dos artistas, os restos mortais serão cremados para viabilizar a criação do Jardim BioParque Memorial Mamonas, que será implantado no Cemitério Primaveras, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, onde os músicos estão sepultados. Uma sexta vítima do acidente ocorrido em 1996, o segurança Sérgio Saturnino Porto, também foi enterrado no local, mas não há informação sobre eventual exumação de seus restos mortais.
A proposta do memorial integra um conceito que busca uma nova forma de homenagem póstuma. As cerimônias utilizarão as cinzas resultantes da cremação junto a sementes de espécies nativas, permitindo o plantio de árvores no espaço. Além de preservar a memória da banda em um ambiente de silêncio e contemplação, o projeto também permitirá que moradores do município utilizem as cinzas de seus familiares para plantar árvores no jardim.
“É um lindo projeto onde temos um Memorial Mamonas Assassinas cheio de lembranças boas com fotos. Cada árvore irá representar um artista. É algo inovador que, depois de trinta anos, nós, os familiares, resolvemos aderir”, afirmou Jorge Santana, CEO da marca Mamonas e primo de Dinho. “Para a gente, Mamonas continua sendo um motivo de muito orgulho, onde a memória tem e deve ser preservada.”
Tragédia que marcou o país
O acidente aéreo ocorreu em 2 de março de 1996, na Serra da Cantareira, no interior de São Paulo, e causou comoção nacional. O fotógrafo Fernando Cavalcanti foi o primeiro profissional da imprensa a chegar ao local e, anos depois, relembrou os bastidores da cobertura em relato publicado em 2018.
Ele contou que, na madrugada da tragédia, ao ouvir pelo rádio sobre a queda do avião que transportava a banda, seguiu até Guarulhos com um repórter. Segundo o fotógrafo, as buscas haviam sido suspensas durante a noite, e ele decidiu acompanhar a equipe de resgate. Com apenas um filme de 36 poses, registrou imagens da cena do acidente.
As fotografias foram publicadas em primeira página e geraram grande repercussão, elevando a tiragem do jornal à época. Anos depois, o fotógrafo afirmou que já mudou de opinião diversas vezes sobre a publicação das imagens e refletiu sobre os limites entre informação e entretenimento no jornalismo policial.
Décadas após a tragédia, a história dos Mamonas Assassinas continua mobilizando fãs e familiares, que agora apostam na criação do memorial como uma nova forma de preservar a memória do grupo que marcou uma geração.