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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2024

“Cidades menores crescem mais que as cidades maiores”, por Lúcio Olivo Rosas

2023-06-29 às 17:01
Foto: Eixo Monumental – Maringá, por Thiago Louzada

O que podemos aprender com os dados do Censo 2022?  Eles podem contribuir com a gestão pública!

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou a divulgação dos dados do Censo 2022, onde já podemos identificar um substancial crescimento de pequenas cidades, principalmente no entorno das regiões metropolitanas. É um reflexo de diferentes dimensões que precisam ser analisadas de forma mais ampla e integrada no aspecto de políticas públicas. Isso vai impactar e influenciar diretamente nas estratégias de marketing e de comunicação das organizações. 

Vejamos o exemplo das regiões metropolitanas do Paraná, que cresceram 9,5% contra 6,5% da média nacional, porém, o aumento demográfico das cidades do entorno foi muito maior do que das cidades consideradas capitais de cada região metropolitana. 

De acordo com os dados do IBGE / Censo 2022, e comparados com o Censo de 2010, Curitiba teve um crescimento populacional de apenas 1,2%, porém, cidades vizinhas como Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, a população passou de 81,7 mil para 148,9 mil nos últimos 12 anos, é o segundo maior aumento proporcional entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Esta região metropolitana ainda conta com a cidade de São José dos Pinhais que teve um crescimento populacional de 24,6% passando para mais de 329,2 mil. 

Em Cascavel, maior cidade da região sudoeste do Paraná, seu crescimento foi de 17,8% se comparado com o Censo de 2010, chegando a marca de 348,5 mil habitantes, e no seu entorno, cidades como Toledo cresceram 26,11% com 150,7 mil habitantes. Na região, também se destaca o crescimento de 29,6% da cidade de Cafelândia, um dos maiores do Estado.

Na Região Metropolitana de Maringá, por exemplo, o crescimento da Cidade Canção foi de 14,7%, passando para 409,6 mil pessoas. No entorno temos os crescimentos de Floresta, com 76,3%, e de Mandaguaçu com 69,3%, além de Sarandi, que cresceu 42%, passando para 118,4 mil habitantes. A Região Metropolitana de Londrina foi a única que cresceu menos que a média do Paraná, com 8,86%.

Já na região dos Campos Gerais, a cidade de Ponta Grossa passou para 358,3 mil habitantes, crescimento de 17,8%, e cidades que ficam na região, mas não no entorno de Ponta Grossa, como Imbaú (23,9%) e Carambeí (21,5%) mostram o mesmo movimento de crescimento acima das principais cidades. Vale destacar a importância das cidades de Telemaco Borba, Castro e Prudentópolis, para o setor econômico do Estado e que estão nessa região.

Desta forma, as gestões dessas principais cidades precisam olhar com mais atenção para esses números, analisa-los de forma a entender esse movimento, criar relacionamentos com as pessoas para compreender suas expectativas e anseios, e promover de fato, políticas públicas que atendam a tão propagada qualidade de vida da população, que de acordo com o Censo 2023 teve retração de quase 30%, conforme o Índice de Perda de Qualidade da Vida (IPQV).

Será que as principais cidades estão entregando, de forma equilibrada e integrada, todos os indicadores sobre qualidade de vida?

Encontrar as razões para esse movimento pode ser uma importante contribuição da sociedade civil organizada para as gestões públicas, que se encontram em fim de mandato e ainda enfrentam o burocrático sistema público. Essas análises passam por pautas como a bolha imobiliária que impede acesso as classes menos favorecidas, do alto custo dos combustíveis em certas regiões, dos preços nos supermercados e nas lojas, da influência do agronegócio, como também o impacto do envelhecimento da população, da desigualdade que só aumenta, e principalmente, do comportamento associativista que algumas regiões apresentam como diferenciais.

“As cidades devem buscar por premiações regionais, e não só individuais, pois, correm o risco de serem as melhores em certos setores, e terem em seu entorno, uma região oposta ao brilho de seu prêmio”. LOR.

São cenários que atuam diretamente na vida das pessoas e que exigem do gestor maior e mais atenção com políticas públicas e tomada de decisão de investimento em qualquer nível de governo ou da iniciativa privada. 

Mas, como o Marketing pode contribuir com isso?

Para o Marketing, políticas públicas são chamadas de produto/serviço, são administrados para gerar um efeito imediato nas pessoas, automaticamente, a população devolve à gestão um significado, através de um valor, que pode ser positivo, ou, negativo. Essa resposta depende de um olhar e uma estratégia de marketing adequada, para que os resultados sejam de fato, apenas positivos, e assim, todos ganham.

O Marketing pode contribuir junto ao gestor público na elaboração de ações que cheguem às famílias brasileiras, buscando encontrar diferentes programas que afetem o seu cotidiano, como as áreas da segurança, saúde, mobilidade e educação, pois são áreas que provocam um significado na mesma velocidade da sua aplicação.

Um exemplo muito interessante é o que a Prefeitura de São Paulo fez, ao invés de muitas secretarias, integrou vários setores em uma única Secretaria e criou a Secretaria de Projetos Especiais, envolvendo setores de planejamento, financeiro, engenharia e de marketing, otimizando assim, a atividade dos envolvidos, propondo e executando obras e ações integradas. O maior ganho é que todos estão focados em um único objetivo, as pessoas. Os Projetos Especiais são considerados de prioridade máxima, passam pela participação de vários profissionais antes de chegar a sua definição, a sua discussão não acontece de forma isolada, e tem a obrigação de chegar ao maior número de pessoas através de diferentes serviços integrados.

Essa visão integrada é uma função de marketing, e que cada vez mais exerce uma função estratégica e de gestão, que antecede as ações de comunicação. O papel do Marketing tem se tornado imprescindível em qualquer gestão, pois ele trata de relações entre marcas e pessoas, e a produção de sentido entre elas. A comunicação é uma ferramenta que potencializará essa relação.

Mais informações no site Panorama do Censo 2022. (PAEN)

https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/

Coluna Connecting

por Lucio Olivo Rosas

Lucio Olivo Rosas é mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), especialista em Direito dos Empreendimentos Econômicos, pela UNIPAR/PR (Universidade Paranaense), graduado em Direito pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e Administração pela UNICESUMAR/PR (Centro Universitário de Maringá). Com vasta experiência profissional na área do Marketing e Comunicação, sendo professor universitário por mais de 20 anos, foi Coordenador de Mídias Institucionais e Marketing Estratégico na Unipar e, recentemente, exerceu a função de Secretário de Comunicação do Município de Maringá, além de consultor empresarial e conferencista nas áreas de Marketing Digital, Legislação do Consumidor, Comunicação e Negócios.