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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2024

“Pessoas podem se tornar marcas?”, por Lúcio Olivo Rosas

2023-08-01 às 15:48
Foto: Reprodução

PESSOAS PODEM SE TORNAR MARCAS? 

Mas, o que é Marca? 

Posso arriscar e defini-la como sendo um SIGNO QUE PERPETUA UMA IMAGEM. Inicialmente, pode parecer estranho, mas podemos nos apoiar na semiótica, que é a ciência que estuda todas as linguagens, tanto as verbais quanto as não-verbais, e analisa através dos signos como um objeto é representado por um intérprete.

Diante de diversas definições que podem levar a interpretações diferentes, citarei algumas para mostrar o quanto é relevante a construção de uma imagem, daquele ou daquilo que se propõe ser público, ou seja, que o acesso seja possível para várias pessoas. 

“Marca é o resultado de um significado identificado mediante uma associação de valor numa relação entre pessoas, marcas e serviços”. Lúcio Rosas.

É a maneira como as pessoas interpretam as coisas ao seu redor e atribuem significados através de uma relação.

Tudo pode se tornar uma marca, produtos e serviços são conhecidos pelo seu nome e, quando associados a um significado, adquirem valor. Por exemplo, Coca-Cola, Netflix, Nike e Shein, só a menção desses nomes já dá às pessoas a compreensão do que significam.

Pessoas também são marcas, quando são conhecidas pelo nome associado a uma presunção de valor e representatividade, como, por exemplo, Carlos Massa Ratinho Junior, governador do Paraná. Se a referência fosse apenas a Carlos Massa, a associação seria menos compreendida pelo público, mas ao adicionar Ratinho Junior, a associação se torna mais rápida e abrangente, resultando em uma marca.

Existem ainda os casos em que os nomes já possuem significados e, independentemente de qualquer elemento simbólico para a criação de uma marca, apenas a menção já estabelece a conexão necessária no imaginário coletivo. Quando ouvimos o nome “Roberto Carlos”, logo nos vem à mente um cantor de músicas românticas de grande sucesso. Isso ocorre devido à sua longevidade e ao posicionamento de valor linear em relação ao seu nome.

Segundo Niall Fitzgerald, Chairman Unilever, a marca é um depósito de confiança cada vez mais importante, à medida que as opções se multiplicam. 

Assim, é possível compreender que as marcas/pessoas devem estabelecer uma conexão com as pessoas que permitam reconhecer sua importância positiva em suas vidas. É um relacionamento existencial sem uma aproximação efetiva com as pessoas.

Para que isso se aconteça, não basta apenas um nome ou uma simbologia, é preciso gerar valor para as pessoas, que precisam ter um posicionamento, uma imagem, associadas à atividade que exercem, e, consequentemente, ter importância para a vida das pessoas. 

Um VÍNCULO EMOCIONAL criado, pode permitir que uma relação permaneça por mais tempo, garantindo uma renovação de significados em suas carreiras. 

Um dos grandes desafios de uma organização é conseguir que o reconhecimento por aquilo que se cria, seja percebido como relevante para as pessoas, o que resultará em um vínculo emocional, o que assegurará a perpetuidade do que se propôs fazer.

Ideia + ação + percepção + valor = Vínculo

Tudo começa com o objetivo a ser alcançado, uma ideia capaz de gerar um sentimento na vida das pessoas. Toda relação gerada supõe uma experiência positiva, uma vez que o benefício percebido deve ser relevante para ambos. Se isso acontecer, há um vínculo entre os agentes.

Essa relação pode se romper a qualquer momento, basta deixar de promover aquilo que as pessoas entendem como facilitadores na vida, e se transformar em um sentimento de insegurança, risco ou sem sentido. 

As marcas são o principal ativo das organizações e das pessoas, e é necessário analisar e avaliar constantemente para assegurar que a ligação existente não seja quebrada, o que resultaria em um suicídio da imagem. Isso se dá quando as marcas deixam de ouvir as pessoas e começam a impor seus próprios sentimentos ou significados. É nessa hora que a desassociação de valores começa a ocorrer e as marcas perdem a importância, caindo rapidamente para um vazio.

Não é possível prometer algo que depois, não esteja relacionado à ação entregue.

Nos próximos conteúdos, discutiremos mais sobre marcas e significados, e como elas podem perpetuar uma imagem, ou não.

Coluna Connecting

por Lucio Olivo Rosas

Lucio Olivo Rosas é mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), especialista em Direito dos Empreendimentos Econômicos, pela UNIPAR/PR (Universidade Paranaense), graduado em Direito pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e Administração pela UNICESUMAR/PR (Centro Universitário de Maringá). Com vasta experiência profissional na área do Marketing e Comunicação, sendo professor universitário por mais de 20 anos, foi Coordenador de Mídias Institucionais e Marketing Estratégico na Unipar e, recentemente, exerceu a função de Secretário de Comunicação do Município de Maringá, além de consultor empresarial e conferencista nas áreas de Marketing Digital, Legislação do Consumidor, Comunicação e Negócios.