há 4 horas
Amanda Martins

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta terça-feira a criação do programa de profissionalização da arbitragem brasileira, que começa a ser implementado já na temporada de 2026. A iniciativa terá início com jogos do Campeonato Brasileiro da Série A e prevê a contratação de árbitros, assistentes e profissionais de VAR com vínculo formal junto à entidade.
Segundo informações do Ge, neste primeiro ano, o programa contará com 72 profissionais: 20 árbitros principais, 40 assistentes e 12 árbitros de vídeo. O objetivo é que esse grupo seja responsável por conduzir as 380 partidas do principal campeonato do país. Eventualmente, os árbitros também poderão ser escalados para jogos da Copa do Brasil e para rodadas decisivas da Série B. A lista de profissionais designados para cada rodada será atualizada a cada semana, o que impactará diretamente na composição das escalas.
Os contratos terão duração de um ano e serão firmados a partir de fevereiro, com início oficial do programa marcado para 1º de março. Os profissionais serão contratados como pessoa jurídica. Embora a CBF não possa exigir dedicação exclusiva, o contrato prevê prioridade para as atividades relacionadas à arbitragem. Os árbitros poderão recusar a designação, e a entidade contará com uma lista de suplentes para eventuais substituições.
A remuneração será composta por salário fixo mensal, pagamento por partida, modelo já adotado atualmente, e bônus por desempenho. Os valores variam de acordo com a categoria do árbitro, como CBF ou Fifa. A CBF não divulgará os salários individualmente, mas a média mensal dos contratados gira em torno de R$ 13 mil, enquanto os árbitros principais terão vencimentos superiores a R$ 30 mil fixos.
A seleção dos 72 profissionais seguiu três critérios principais: serem árbitros Fifa ou CBF, o número de escalas na Série A nas temporadas de 2024 e 2025 e a nota média nas avaliações de desempenho realizadas pela CBF nesses dois anos. A lista dos 20 árbitros profissionais inclui nomes como Anderson Daronco, Raphael Claus, Wilton Sampaio, Edina Batista, Ramon Abatti Abel e Bráulio Machado, entre outros.
O programa é resultado de estudos baseados em modelos adotados em países como Alemanha, Inglaterra, Espanha e México. Para a elaboração do projeto, a CBF criou um grupo de trabalho em novembro do ano passado, que contou com a participação de clubes das Séries A e B, além de consultores internacionais e reuniões com árbitros do quadro nacional.
A iniciativa se apoia em quatro pilares principais. O primeiro é a remuneração, com salário fixo, pagamentos variáveis por jogo, bônus por desempenho e benefícios como auxílio-academia. O segundo pilar é a excelência física e a saúde, com rotina semanal de treinos, monitoramento por smartwatches fornecidos pela CBF e acompanhamento de nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, além de quatro avaliações físicas anuais que podem até retirar o árbitro das escalas por um ciclo.
O terceiro pilar é a capacitação técnica, com imersões mensais que incluem aulas teóricas, testes, atividades práticas e dinâmicas voltadas à padronização de critérios e à tomada de decisão em situações de jogo. Os árbitros receberão retorno contínuo por meio de análises de desempenho e de lances polêmicos a cada rodada. Já o quarto pilar envolve tecnologia e inovação, com a previsão da estreia do VAR semiautomático ainda nesta temporada, além do uso da “refcam”, câmera acoplada ao corpo do árbitro para monitorar o comportamento dos atletas e inibir reações exageradas.
A CBF também implantará um sistema interno de ranking para promoção e rebaixamento dos árbitros. As avaliações considerarão critérios como controle de jogo, aplicação das regras e desempenho físico. O ranking não será divulgado publicamente e terá como base relatórios de observadores e da comissão de arbitragem da entidade. Estão previstos, no mínimo, dois acessos e dois rebaixamentos por ano dentro do programa, como forma de estimular a meritocracia e a evolução contínua da arbitragem brasileira.