há 18 horas
Amanda Martins

Os primeiros nomes de presos políticos que podem ser libertados na Venezuela começaram a circular nesta quinta-feira (8), após o governo interino anunciar a liberação de um “número importante” de detentos. A medida foi apresentada pelas autoridades chavistas como um gesto unilateral para consolidar a paz, em meio ao novo cenário político aberto após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Segundo o Metrópoles, entre os nomes citados por veículos da imprensa internacional estão o da advogada Rocío San Miguel, diretora da ONG Controle Cidadão e referência em temas militares, e o do ex-candidato à Presidência Enrique Márquez. Ambos são considerados presos de alto perfil durante o governo Maduro. Também aparecem em listas não oficiais o ex-vice-presidente da Assembleia Nacional Juan Pablo Guanipa e o jornalista venezuelano Roland Carreño.
Apesar da repercussão, não há confirmação oficial sobre quais detentos serão efetivamente beneficiados com a medida. Outras possíveis liberações mencionadas incluem Perkins Rocha, advogado da líder oposicionista María Corina Machado, e Rafael Tudares, genro do ex-diplomata Edmundo González Urrutia.
Rocío San Miguel foi presa em fevereiro de 2024, acusada pelo regime chavista de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe. Especialista em assuntos militares, ela se destacou como uma das principais vozes da sociedade civil ao analisar a atuação das Forças Armadas venezuelanas. Já Enrique Márquez foi detido em janeiro de 2025, sem que acusações formais fossem divulgadas.
O anúncio das libertações foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da atual presidente interina Delcy Rodríguez. Segundo ele, as solturas começaram “a partir deste exato momento”, sem detalhamento sobre datas, critérios ou número de beneficiados.
Rodríguez afirmou que a decisão não foi resultado de negociações com outros governos e reforçou o caráter unilateral da medida. Ainda assim, agradeceu a atuação de mediadores internacionais, como o ex-primeiro-ministro da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o governo do Catar.