há 17 horas
Heryvelton Martins

A Polícia Civil do Paraná concluiu que não houve crime no desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, 19 anos, que se perdeu durante uma trilha no Pico Paraná e passou cinco dias na mata antes de conseguir ajuda. Com isso, o inquérito foi arquivado após as investigações indicarem que o caso se tratou de um episódio acidental, sem indícios de infração penal ou omissão de socorro.
Conforme a Polícia Civil, o inquérito analisou depoimentos de Roberto, da jovem que o acompanhava na trilha, de montanhistas que cruzaram com o grupo no caminho e de familiares. O delegado Glaison Lima Rodrigues informou que, com base nesses elementos, não foram identificados atos que configurassem crime, motivo pelo qual foi feito o pedido de arquivamento do caso.
Segundo o delegado, as apurações indicaram que Roberto teve um mal-estar leve na subida, mas iniciou a descida em boas condições, sem sinais que justificassem intervenção de emergência por parte da amiga ou dos outros trilheiros. A polícia concluiu que o jovem acabou se distanciando do grupo e entrou em uma trilha errada, o que levou ao desaparecimento, sem participação de terceiros.
Roberto desapareceu em 1º de janeiro, após subir o Pico Paraná com uma amiga e iniciar a descida acompanhando um grupo de montanhistas, no ponto mais alto do Sul do Brasil, região já conhecida por registros de resgates e sumiços em trilhas. Em determinado trecho anterior ao acampamento-base, ele ficou para trás e não foi mais visto, o que motivou o acionamento do Corpo de Bombeiros e o início das buscas ainda no primeiro dia.
As equipes utilizaram drones, rapel, câmeras térmicas e apoio de voluntários, grupos de montanhismo e corredores de montanha em varreduras repetidas pela mata. A Polícia Civil passou a acompanhar o caso formalmente a partir do boletim de ocorrência registrado pela família, abrindo inquérito para apurar se havia qualquer suspeita de crime.
Enquanto as buscas eram realizadas, Roberto caminhou sozinho pela região de mata fechada, na Serra do Mar, até alcançar uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, cerca de cinco dias após o desaparecimento. Segundo relato do próprio jovem aos familiares e às autoridades, ele percorreu aproximadamente 20 quilômetros até encontrar o local onde conseguiu pedir ajuda.
Ao chegar à fazenda, o rapaz solicitou um telefone emprestado, ligou para a irmã e comunicou que estava vivo, o que encerrou as buscas de campo. Depois disso, ele foi encaminhado a um hospital em Antonina, onde recebeu atendimento médico, ficou em observação e apresentou quadro considerado estável, com escoriações e sinais de desidratação, mas sem lesões graves.
O episódio reacendeu o debate sobre segurança em trilhas e a gestão do Pico Paraná, que já registra histórico de desaparecimentos, resgates complexos e operações de busca de grande porte. Montanhistas e grupos de resgate apontaram a necessidade de reforço na sinalização, no controle de acesso e na orientação a visitantes, especialmente iniciantes em atividades de montanha.
Familiares de Roberto divulgaram imagens das lesões sofridas por ele, reforçando a dimensão física do desgaste enfrentado durante os cinco dias em meio à mata.