há 2 horas
Heryvelton Martins

Diante da percepção comum entre moradores sobre dificuldades no trânsito de Ponta Grossa, uma pesquisa realizada com dados do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) e Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN) revela um cenário diferente da realidade nacional. Ponta Grossa não aparece nos rankings oficiais das cidades com piores motoristas do Brasil.
O cruzamento de dados mostrou que as cidades mais problemáticas no trânsito nacional são São Paulo (16,4 acidentes por 10 mil habitantes), Rio de Janeiro (16,2), Belo Horizonte (16,1) e Curitiba (15,9) — todas acima dos indicadores pontagrossenses.
Uma pesquisa realizada pela empresa Gambling.com com mais de 2 mil entrevistados mapeou a percepção de brasileiros sobre os piores motoristas do país. Os resultados apontam para uma tendência clara: a opinião pública muitas vezes não corresponde aos dados estatísticos reais. São Paulo, Manaus e Rio de Janeiro lideraram a percepção negativa, enquanto Ponta Grossa sequer aparece no ranking das cidades mais votadas como tendo motoristas problemáticos.
A diferença entre percepção e realidade revela-se fundamental para compreender o fenômeno. Grandes capitais concentram maior volume absoluto de acidentes, o que amplifica a visibilidade do problema e alimenta uma percepção distorcida sobre a qualidade da direção. Ponta Grossa, apesar de seus desafios viários específicos, não integra este grupo das piores avaliações.

No ranking estadual de mortalidade no trânsito, o Paraná ocupa a 10ª posição com 28,74 mortes por 100 mil habitantes, posicionando-se acima da média nacional de 20,12 — porém longe dos patamares críticos registrados em estados como Piauí (37,66), Mato Grosso (36,52) e Tocantins (33,01).
Ponta Grossa, especificamente, passou a registrar crescimento preocupante em seus números durante 2024 e 2025. A cidade teve 2.400 acidentes em 2025, com 5.656 feridos e seis mortes, segundo levantamento do Departamento de Trânsito paranaense (Detran-PR). O fator preocupante inclui o fato de que 18% dos condutores envolvidos apresentavam suspeita de embriaguez — um indicador crítico que ultrapassa o comportamento defensivo na direção.
As motocicletas representam 21% da frota ativa em Ponta Grossa e concentram proporção desproporcionalmente alta nos acidentes, padrão observado também em outras cidades brasileiras onde o crescimento da frota de motos intensificou a vulnerabilidade de condutores.
Pesquisa conduzida pela plataforma Preply analisou a educação no trânsito sob outro aspecto: agressões verbais entre motoristas. São Paulo lidera com 36,2% de incidentes com agressões verbais, seguido pelo Rio de Janeiro (20%) e Bahia (6,6%). O Paraná, no contexto estadual, registra 10,8% de agressões verbais — inferior aos três primeiros colocados e similar a Minas Gerais (10,8%), demonstrando que a educação viária do estado não é particularmente problemática neste aspecto.
Pesquisas acadêmicas desenvolvidas na Universidade Estadual de Ponta Grossa evidenciam que os principais desafios viários da cidade não estão relacionados à qualidade dos motoristas, mas a fatores estruturais. A topografia acidentada da região, características do traçado das ruas e crescimento acelerado da frota veicular são apontados como causas primárias de congestionamentos e sinistros de trânsito.
Estudos mostram que colisões traseiras, laterais e transversais são as ocorrências mais recorrentes, seguidas por fatores como falta de atenção dos condutores e embriaguez — problema que pode ser abordado por meio de fiscalização mais intensiva, não necessariamente pela competência dos motoristas.
Embora Ponta Grossa não figure nos piores rankings nacionais, o crescimento nos acidentes merece atenção. A Prefeitura de Ponta Grossa implementa medidas para redução de sinistros, incluindo reforço em educação no trânsito e infraestrutura. O aumento de 22,3% nos emplacamentos do município entre agosto de 2025 (após redução de IPVA) sinaliza possível incremento futuro no volume de veículos circulando, tendência que demanda acompanhamento especial das autoridades.