há uma hora
Amanda Martins

As canetas injetáveis para o tratamento do sobrepeso e da obesidade, conhecidas como canetas emagrecedoras, ganharam popularidade no Brasil pela promessa de perda rápida de peso. Embora os medicamentos utilizem princípios ativos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o aumento da procura também impulsionou o mercado clandestino, com a venda de produtos falsificados e sem controle sanitário.
A oferta de versões mais baratas, sem exigência de prescrição médica, atrai consumidores, mas expõe pacientes a riscos graves. Medicamentos comercializados sem registro da Anvisa podem conter substâncias de procedência desconhecida, estar contaminados ou até apresentar compostos diferentes dos declarados, colocando a saúde em perigo.
Atualmente, apenas 12 canetas injetáveis possuem registro sanitário no país para o tratamento da diabetes tipo 2, do sobrepeso e da obesidade. Entre as aprovadas para sobrepeso e obesidade estão Mounjaro (tirzepatida), Olire (liraglutida), Poviztra (semaglutida), Saxenda (liraglutida) e Wegovy (semaglutida). Para diabetes tipo 2, constam Extensior, Lirux, Mounjaro, Ozempic, Soliqua, Trulicity, Victoza e Xultophy, fabricadas por diferentes laboratórios autorizados.
A Anvisa alerta que esses medicamentos só podem ser vendidos legalmente por farmácias e drogarias. A comercialização em lojas virtuais não vinculadas a estabelecimentos farmacêuticos, por pessoas físicas ou em clínicas de estética, não é autorizada. Outro sinal de alerta é o preço: valores muito abaixo dos praticados no mercado regulado, que segue a tabela da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), devem ser motivo de desconfiança.
Além disso, especialistas recomendam atenção à embalagem e à aparência do produto. Canetas com caixas violadas, instruções em idioma estrangeiro, diferenças visuais em relação ao padrão registrado ou informações incorretas não devem ser adquiridas. O armazenamento também é um indicativo, já que muitos desses medicamentos exigem refrigeração adequada.
Segundo o médico Alexandre Hohl, vice-presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), parte das falsificações tem sido divulgada nas redes sociais. Para ele, conhecer o aspecto do produto original e suas condições de armazenamento é essencial para reduzir o risco de consumo de medicamentos falsificados.