há 2 horas
Amanda Martins

Estudos recentes conduzidos por pesquisadores franceses reacenderam o debate sobre os riscos dos alimentos ultraprocessados à saúde. Publicadas nas revistas científicas BMJ e Nature Communications, as pesquisas indicam que o consumo frequente de produtos como presunto, bacon, linguiça e salsicha pode aumentar de forma significativa o risco de câncer e de outras doenças crônicas.
As conclusões reforçam um entendimento já adotado por organismos internacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as carnes processadas como cancerígenas do Grupo 1 para humanos, a mesma categoria que inclui o tabaco, o álcool e a poluição do ar. Segundo a entidade, a classificação não significa que esses alimentos apresentem o mesmo nível de risco que o cigarro, mas que existe comprovação científica da relação entre consumo e câncer.
A classificação chama atenção por envolver itens amplamente consumidos no Brasil e em outros países. Os estudos franceses apontam que a ingestão diária de ultraprocessados pode elevar em até 32% o risco de alguns tipos de câncer, especialmente o colorretal, além de aumentar em até 47% a incidência de diabetes tipo 2. A análise se baseia em dados reunidos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à OMS, a partir da revisão de dezenas de estudos realizados em diferentes países.
Um dos dados que mais preocupam os pesquisadores é a quantidade necessária para elevar o risco. Cerca de 50 gramas diárias de carne processada, o equivalente a algumas fatias de presunto ou uma salsicha, já estariam associadas a um aumento significativo da probabilidade de desenvolver câncer ao longo da vida. A frequência do consumo aparece como fator decisivo nos resultados.
Além das carnes processadas, outros ultraprocessados também estão sob observação, como frutas secas industrializadas, alguns tipos de queijo e produtos à base de chocolate. Embora ainda não tenham recebido a mesma classificação da OMS, esses alimentos foram associados a maior risco de doenças em algumas análises. Já a carne vermelha não processada foi classificada como provavelmente cancerígena, com evidências limitadas, mas sugestivas, sobretudo para tumores no intestino, pâncreas e próstata.
A OMS destaca que o objetivo das divulgações não é causar alarme, mas orientar escolhas alimentares mais conscientes. A recomendação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e reduzir o consumo de ultraprocessados, estratégia vista como fundamental para a prevenção de doenças a longo prazo. O debate também influencia políticas públicas de saúde e rotulagem, especialmente em países onde esses produtos fazem parte da alimentação cotidiana.