há 11 horas
Redação

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, comemorou nesta sexta-feira (09) a decisão do Conselho Europeu que autorizou a assinatura do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo ele, o avanço representa um marco para o fortalecimento do multilateralismo e do comércio internacional baseado em regras.
De acordo com Alckmin, o acordo amplia investimentos, cria oportunidades para a indústria brasileira e reforça a agenda da sustentabilidade, com destaque para o compromisso do Brasil no combate às mudanças climáticas. O ministro afirmou que se trata de um pacto “ganha-ganha”, com potencial para gerar empregos, aumentar a competitividade e ampliar a oferta de produtos mais baratos e de melhor qualidade.
No campo industrial, Alckmin destacou que a indústria de transformação brasileira exportou, em 2025, US$ 23,6 bilhões para a União Europeia, valor equivalente a 12,5% das exportações totais do setor. Para ele, o desempenho reflete a importância do bloco europeu como destino estratégico para os produtos brasileiros.
O ministro atribuiu o avanço das negociações ao empenho do governo brasileiro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, teve atuação decisiva, inclusive enquanto presidente do Mercosul. Alckmin ressaltou a mudança de postura do Brasil em relação à sustentabilidade, com compromissos claros de combate ao desmatamento, preservação das florestas e redução das emissões de carbono, fatores considerados fundamentais para a conclusão do acordo.
A decisão do Conselho Europeu ocorre após mais de 26 anos de negociações e fortalece a parceria entre os dois blocos, que juntos reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões. Trata-se do maior acordo comercial já negociado pelo Mercosul e de um dos mais relevantes firmados pela União Europeia com parceiros comerciais.
O acordo consolida, em um único instrumento, os pilares de diálogo político, cooperação e comércio, além de antecipar benefícios econômicos como a redução de tarifas, a ampliação do acesso a mercados e a facilitação de investimentos e do comércio de serviços. Com a autorização do Conselho, o próximo passo será a assinatura do tratado, prevista para ocorrer nos próximos dias no Paraguai, que atualmente exerce a presidência do Mercosul.
Após a assinatura, o acordo precisará ser internalizado pelos países envolvidos. A parte comercial passará pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Já os temas ligados à cooperação e às questões políticas deverão ser submetidos aos parlamentos dos 27 países da União Europeia. A parte comercial, no entanto, poderá entrar em vigor antes da aprovação dessas outras etapas, bastando a ratificação pelo Congresso Nacional e pelo Parlamento Europeu.
Durante a coletiva, Alckmin afirmou acreditar que o acordo entre em vigor ainda neste ano. Ele também destacou a relevância da União Europeia como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 100,1 bilhões, um recorde histórico, com crescimento de 4,8% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, cerca de 30% dos exportadores brasileiros, o equivalente a 8,7 mil empresas, venderam para o mercado europeu. Segundo Alckmin, essas empresas empregam mais de 3 milhões de pessoas, evidenciando o impacto econômico e social da relação comercial entre o Brasil e a União Europeia.