há 2 horas
Lucas Ribeiro

O jovem Luiz Eduardo Silveira Quadros dos Santos, de 17 anos, morreu durante uma intervenção da Polícia Militar do Paraná (PMPR) na tarde de quinta-feira (1º), em Ponta Grossa. A ocorrência aconteceu na Estrada Municipal Sebastião Bastos, nas proximidades da entrada do Costa Rica II, e é alvo de versões divergentes entre a PM e os familiares.
Natural de Ponta Grossa, Luiz Eduardo trabalhava como servente de pedreiro. O sepultamento está marcado para esta sexta-feira (2), a partir das 15h, no Cemitério Municipal de Biscaia. O velório ocorre ao longo do dia na Capela da Funerária Princesa.
Segundo a Polícia Militar, a equipe tentou abordar uma motocicleta sem placa e sem capacete, conduzida pelo jovem. Conforme a corporação, Luiz Eduardo desobedeceu à ordem de parada e empreendeu fuga, passando por diversas vias até acessar a Estrada Sebastião Bastos.
Em uma primeira nota divulgada à imprensa, a PM afirmou que, durante a fuga a pé, o jovem teria apresentado uma arma de fogo contra os policiais, que reagiram à suposta ameaça. O socorro médico foi acionado, mas o óbito foi confirmado no local.
Posteriormente, a corporação alterou a versão inicial, mantendo a tentativa de abordagem e a fuga, mas retirando o trecho que mencionava o apontamento da arma, informando apenas que um revólver calibre .38 foi encontrado no local e encaminhado para perícia. A Polícia Civil e a Polícia Científica compareceram para os procedimentos cabíveis.
Durante a saída das equipes policiais, houve o arremesso de uma pedra, que danificou uma das viaturas. O autor foi identificado e encaminhado à delegacia.
O relato policial, no entanto, é diferente do apresentado pelos familiares de Luiz. José Luiz Quadros dos Santos, pai do rapaz, em entrevista exclusiva ao D´Ponta News, destacou que o filho era inocente, que não possuía passagens pela polícia e deu outra versão do ocorrido.
"Quando cheguei lá atrás da viatura, fui abordado. Outra pessoa arrastou ele no mato e deu três tiros na cabeça dele. Com certeza foi na cabeça. Eu estava atrás e falei para não matá-lo, mas não me deram bola. Não pude fazer nada para o meu filho. Um cara de 17 anos que tinha tudo pela frente".
José ainda chegou a declarar que a situação se tratava de um crime. "Se ele fosse um bandido.... Nem na 13ª ele foi. Um 'piá' que estava se dando bem. Um cara trabalhador... Isso é um crime. Isso é um crime", desabafou José Luiz após o ocorrido.
Na versão mais recente divulgada à imprensa, a Polícia Militar informou que o policial envolvido na ação será submetido a protocolos institucionais de avaliação psicológica. A corporação também comunicou que será instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias da ocorrência.
Após a conclusão do inquérito, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MPPR), órgão responsável por analisar o caso e seus possíveis desdobramentos. Confira a nota completa abaixo:
A Polícia Militar do Paraná (PMPR) informa que, na tarde desta quarta-feira (1º), por volta das 14h30, no município de Ponta Grossa, houve registro de intervenção policial com resultado morte durante uma tentativa de abordagem a um indivíduo que conduzia uma motocicleta sem placa e sem capacete.
Viaturas do SAMU e do SIATE foram acionadas, porém, a equipe médica confirmou o óbito no local. A Polícia Civil e a Polícia Científica compareceram ao local para os procedimentos cabíveis. A motocicleta utilizada foi encaminhada à delegacia, uma vez que apresentava sinais de adulteração em seus identificadores, o que configura crime. E um revólver calibre .38 foi apreendido, sendo encaminhado à perícia.
Durante a saída das equipes policiais do local da ocorrência, houve o arremesso de uma pedra que causou dano em uma das viaturas. O autor foi identificado e encaminhado à delegacia por dano ao patrimônio público.
Por fim, a PMPR informa que, como regem as normas da corporação, o policial militar envolvido na ação será submetido aos protocolos institucionais de avaliação psicológica e um Inquérito Policial Militar (IPM) será instaurado para apuração das circunstâncias da ocorrência. Após a conclusão, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público, a quem cabe a análise e o eventual processamento do caso.
A Polícia Militar do Paraná reafirma seu compromisso institucional com a verdade, a transparência e a legalidade, conduzindo suas ações pela estrita observância dos protocolos legais e pelo fiel cumprimento do dever.