há uma hora
Amanda Martins

Um dos principais debates do cenário nacional foi tema de uma audiência pública realizada nesta terça-feira (10) no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná. O encontro discutiu o fim da escala de trabalho 6x1 e a possibilidade de implantação da escala 5x2, reunindo deputados estaduais, representantes de entidades sindicais, órgãos públicos e trabalhadores de diversos setores da economia paranaense. A iniciativa partiu da Liderança da Oposição da Casa.
Para o líder da oposição, o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), a pauta tem impacto direto na qualidade de vida da população trabalhadora. Segundo ele, a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais pode melhorar a saúde, ampliar o tempo de convivência familiar e garantir mais espaço para lazer e cultura. O parlamentar também destacou que o movimento pretende ampliar o debate em todo o Paraná e pressionar o Congresso Nacional do Brasil para que a proposta avance.
Durante a audiência, parlamentares ressaltaram a importância de discutir direitos trabalhistas e condições de trabalho. O deputado Requião Filho (PDT) alertou para os riscos da chamada “pejotização” e da perda de direitos como férias, aposentadoria e FGTS. Já a deputada Luciana Rafagnin (PT) afirmou que a mudança pode representar mais saúde e dignidade, especialmente para mulheres que enfrentam jornadas duplas ou triplas. Outros parlamentares, como Renato Freitas (PT), Dr. Antenor (PT), Professor Lemos (PT) e Luiz Claudio Romanelli (PSD), também defenderam o avanço da discussão sobre a redução da jornada.
A deputada federal Lenir de Assis (PT) destacou a necessidade de união entre trabalhadores e entidades para fortalecer o debate. Segundo ela, a proposta busca garantir ao menos dois dias de descanso semanal para os trabalhadores, reforçando a defesa de melhores condições de trabalho no país.
Representantes de entidades sindicais e especialistas também participaram do debate. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Márcio Kieller, afirmou que o fim da escala 6x1 é uma reivindicação histórica do movimento sindical desde a Constituição de 1988, que reduziu a jornada semanal de 48 para 44 horas. Ele defende a redução para 40 horas sem diminuição de salário, destacando que estudos indicam que trabalhadores com melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional tendem a produzir mais.
Outros participantes ressaltaram os impactos da jornada extensa na saúde e nas condições de trabalho. O professor de Direito do Trabalho da Universidade Federal do Paraná, Sidnei Machado, afirmou que cerca de 73% da população apoia a redução da jornada. Já representantes de instituições como o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região e o Ministério Público do Trabalho defenderam que a discussão avance como uma medida de proteção à saúde e à dignidade dos trabalhadores. O encontro também contou com a participação de vereadores, lideranças sindicais, estudantes e representantes de movimentos sociais de diferentes regiões do Paraná.