há 2 horas
Amanda Martins

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na última terça-feira (3) que a solução para o impasse em torno da escala 6×1 passa pelo diálogo entre trabalhadores e empresários. De acordo com o portal Ric, a declaração foi feita durante a abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo. Segundo ele, não há “dono da verdade” no debate democrático e é necessário buscar um ponto de equilíbrio entre os diferentes interesses envolvidos.
Lula destacou que a eventual redução da jornada de trabalho precisa considerar as especificidades de cada setor. “Mesmo que você aprove uma jornada de trabalho, seja lá de quantas horas for, você vai ter que levar em conta a especificidade de cada categoria. Você não pode tratar a jornada de trabalho em um boteco, em que o cara tem só ele e um empregado, com a jornada de trabalho de um Carrefour”, afirmou.
O presidente disse ainda que seria mais simples enviar um projeto de lei ao Congresso e, posteriormente, lidar com possíveis descumprimentos. No entanto, defendeu habilidade política para construir consenso. Ele criticou tanto os que vendem um “discurso de facilidades” sobre o fim da escala 6×1 quanto os que fazem um “discurso de terrorismo”, prevendo impactos severos na economia. “Estamos tentando construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e trabalhadores, que interessa ao país”, declarou.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também pediu equilíbrio no debate e indicou que o governo não deve apoiar mudanças drásticas sem negociação. “É evidente que a redução da jornada de trabalho gera impacto no custo das empresas. Mas, seguramente, ele pode melhorar de forma determinante o ambiente de trabalho e a condição de vida das pessoas. Temos que apostar num ganho de produtividade”, disse.
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu o engajamento da população nas discussões, ressaltando que o diálogo com Congresso e Judiciário vem sendo conduzido “a duras penas” pelo presidente e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, posicionou-se a favor do fim da escala 6×1 sem redução salarial. “Dizer que um país como este não suporta e vai quebrar com o fim da escala 6×1 é não conhecer a realidade do Brasil”, afirmou.