há 3 horas
Gabriel Aparecido

Uma cirurgia considerada inédita foi realizada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. O procedimento tem o objetivo de trazer uma melhora no quadro da paciente, uma criança paraplégica de 9 anos. Foram utilizados equipamentos de alta tecnologia e contou com a presença de uma equipe multidisciplinar.
De acordo com informações do portal NDMais, foi empregada a neuronavegação, recurso tecnológico semelhante a um GPS cirúrgico, além de modelagem em 3D da coluna. A combinação dessas técnicas garantiu redução de riscos durante a intervenção, realizada em duas etapas.
A equipe médica contou que os primeiros sinais de evolução foram observados ainda no período inicial do pós-operatório. No momento, a criança apresentou uma melhora da sensibilidade e redução do quadro de espasticidade - movimentos involuntários causados pela condição do paciente.
“O caso exigiu um procedimento de extrema complexidade. Ela [criança] apresentava compressão da medula desde o nascimento. Para nossa surpresa, além da correção obtida durante a cirurgia, a paciente já demonstra sinais iniciais de recuperação, com melhora da sensibilidade e redução do quadro de espasticidade. O estado neurológico vem evoluindo de forma positiva. Ainda estamos em um período precoce, mas os avanços observados até o momento nos trazem grande expectativa para o longo prazo”, afirmou o chefe do Serviço de Ortopedia Pediátrica do HIJG, André Luis Fernandes Andújar.
Devido à complexidade e à raridade da técnica utilizada, o procedimento foi acompanhado por médicos de outros estados e também de países vizinhos.
“Essa tecnologia trouxe mais segurança e agilidade, com redução do tempo cirúrgico e melhorando as condições clínicas no pós-operatório. Com essa técnica, há diminuição de riscos e de complicações; além disso, é algo que proporciona benefícios para o paciente, mais qualidade de vida, e gera economia de custos para o sistema de saúde”, explicou o ortopedista pediátrico e cirurgião de coluna Rodrigo Grandini.
A criança é portadora de uma displasia esquelética rara, condição que provoca deformidades severas na coluna vertebral e pode comprometer funções neurológicas e respiratórias. O quadro, com o tempo, evoluiu para a compressão da medula espinhal multíplos níveis, resultando na paraplegia, perda de sensibilidade nos membros inferiores e dificuldades respiratórias e alimentares.
A família precisou se mudar para Santa Catarina, encaminhando a criança ao Hospital Infantil Joana de Gusmão, onde passou por uma série de avaliações até chegar à cirurgia .
A partir de agora, a criança seguirá em acompanhamento ambulatorial no serviço de ortopedia pediátrica do HIJG e realizará sessões de fisioterapia. O foco será a reabilitação progressiva e o estímulo à recuperação neurológica.
A expectativa é de que, com o acompanhamento contínuo, os resultados positivos observados até agora possam evoluir ao longo dos próximos meses.