há uma hora
Amanda Martins

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o Brasil para integrar o Conselho de Paz, grupo criado por ele nesta quinta-feira (22), durante cerimônia em Davos, na Suíça. A iniciativa, segundo Trump, terá como primeira missão supervisionar a situação na Faixa de Gaza após o cessar-fogo entre Israel e Hamas, mas poderá atuar futuramente em outros conflitos globais. Até o momento, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não respondeu oficialmente ao convite.
Segundo o portal Ric, Trump confirmou o convite ao Brasil, afirmou que “gosta” de Lula e disse que o presidente brasileiro teria um “grande papel” dentro do novo conselho. Apesar da declaração, em Brasília o clima é de cautela. O Itamaraty vem realizando reuniões internas para discutir o tema, mas a decisão final caberá a Lula.
O principal obstáculo para a adesão brasileira é a tradição diplomática do país, historicamente alinhada ao multilateralismo e à centralidade da Organização das Nações Unidas (ONU) como mediadora de conflitos internacionais. A avaliação interna é de que o Conselho de Paz proposto pelos EUA pode enfraquecer a ONU e outros organismos multilaterais, ao concentrar decisões finais nas mãos do presidente norte-americano.
A desconfiança não é isolada. Trump afirmou que “todo mundo quer fazer parte do Conselho de Paz”, mas países como Noruega, Suécia, França, Eslovênia e Reino Unido já indicaram que não devem aderir ao grupo. Segundo o presidente dos EUA, 59 países estariam alinhados à proposta, embora oficialmente apenas 22 tenham confirmado participação até agora.
Para o Brasil, recusar o convite também envolve riscos diplomáticos. Lula busca preservar o bom momento das relações com os Estados Unidos e evitar atritos diretos com Trump. A tendência, por ora, é adotar uma postura de espera, observando a posição de países como China, Rússia e Japão antes de uma definição.
Caso aceitem o convite, os países terão mandato de três anos no Conselho de Paz. Para obter uma cadeira permanente, será necessário o pagamento de US$ 1 bilhão a um fundo administrado exclusivamente pelos Estados Unidos, condição que também pesa na avaliação brasileira sobre a real natureza e os objetivos do novo organismo internacional.