há 2 dias
Giovanni Cardoso

O secretário de Estado da Saúde do Paraná, Beto Preto, afirmou neste sábado (14) que o Paraná e o Brasil poderiam ter registrado menos mortes na pandemia caso as vacinas contra a Covid-19 tivessem chegado antes. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Ponto de Vista, apresentado por João Barbiero, na Rede T de rádios.
Segundo ele, se a compra dos imunizantes, que foi de responsabilidade do Governo Federal, na época liderado por Jair Bolsonaro, tivesse ocorrido alguns meses antes, o impacto na redução de óbitos seria significativo. “Se tivéssemos acesso às vacinas três meses antes, nós teríamos salvo muito mais pessoas e diminuído pelo menos um terço dos óbitos no Paraná e no Brasil inteiro. Não estou aqui culpando esse ou aquele. Dentro da realidade do que aconteceu no momento, das brigas políticas que existiam, nós tivemos acesso às vacinas e imediatamente vacinamos o que a gente tinha”, afirmou.
Beto Preto destacou que, dentro do cenário enfrentado à época, a gestão estadual buscou agir de forma antecipada na logística. “Conseguimos comprar seringa antes de todo mundo, agulha antes de todo mundo. Quando a vacina chegou, todos os municípios já estavam estocados para começar a vacinar”, disse.
Ele relembrou ainda o período mais crítico da crise sanitária. “Foi um momento muito duro. Faltou medicamento, faltou insumo, faltou respirador. Cada local tinha uma história diferente, muitas vezes aterrorizante”, declarou.
"Me arrepia falar sobre isso porque parece que já passou 30 anos e são 4 anos que isso acabou. Foi um momento muito duro. Quem é da saúde passou por isso, nunca imaginou que iria passar por esse tanto de óbitos, com tantas perdas", complementou.
Ao longo da entrevista, o secretário voltou a defender a imunização como ferramenta essencial de proteção coletiva, especialmente diante da queda na procura pela vacina contra a Covid-19.
“A circulação é baixa, mas ainda existem óbitos. Quem perdeu a vida em 2025 foi principalmente quem não se vacinou ou não tinha o esquema completo”, afirmou. Ele resumiu a orientação em uma frase: “Vacina é ciência”.
O secretário também confirmou que a campanha de vacinação contra a gripe deve começar no fim de março ou início de abril. “Quem perdeu a vida para H1N1 foi quem não se vacinou, principalmente idosos e crianças. A vacinação contra influenza é fundamental”, disse.
Outro ponto abordado foi a ampliação da proteção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por casos de bronquiolite em bebês. De acordo com Beto Preto, gestantes estão sendo vacinadas a partir da 28ª semana de gestação para transferir anticorpos aos recém-nascidos, além da aplicação de medicamento específico em prematuros e crianças com comorbidades.
Ao comentar a situação da saúde em Ponta Grossa, Beto destacou investimentos recentes e o fortalecimento da estrutura hospitalar do município. Ele citou a ampliação do atendimento oncológico na Santa Casa e a previsão de construção de uma nova torre hospitalar. “Nós temos que ampliar para cuidar dos Campos Gerais, uma região muito grande. Temos
que cuidar da Santa Casa, que tem mais de 100 anos. O secretário também ressaltou o apoio aos hospitais filantrópicos e disse que novas entregas devem ocorrer nos próximos meses, incluindo o lançamento da obra e a inauguração do Ambulatório Médico de Especialidades Universitário (AME Universitário).
Questionado sobre a repercussão internacional envolvendo o vírus Nipah, o secretário afirmou que não há risco iminente para o Brasil. “Não tem preocupação. A transmissão interpessoal é quase nula”, declarou, acrescentando que os sistemas de vigilância seguem monitorando possíveis ameaças.
Ao final da entrevista, Beto Preto confirmou que deixará o comando da Secretaria de Estado da Saúde no dia 3 de abril, dentro do prazo legal para desincompatibilização. Ele afirmou que deve disputar a reeleição para deputado federal, mas colocou-se à disposição do grupo político do governador.
“Vou sair da Secretaria de Estado da Saúde, mas a secretaria não vai sair de mim. Vou continuar pensando saúde lá em Brasília”, concluiu.