há 13 horas
Amanda Martins

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicou à Argentina que deixará de administrar a embaixada do país vizinho na Venezuela. A decisão foi informada à gestão do presidente Javier Milei na última quinta-feira (8) e, no dia seguinte, à administração da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.
O Brasil havia assumido a representação diplomática argentina em Caracas em agosto de 2024, a pedido de Milei, após o regime de Nicolás Maduro expulsar equipes diplomáticas de ao menos cinco países que não reconheceram a reeleição do líder chavista. Desde então, a bandeira brasileira permaneceu hasteada no prédio da embaixada, com o governo brasileiro responsável pela proteção e segurança do local.
Segundo o Metrópoles, integrantes da diplomacia brasileira, a decisão de encerrar a gestão ocorre por necessidade de reorganização do trabalho diplomático diante de um “novo contexto” na Venezuela. De acordo com essas fontes, a Argentina dispõe de outras alternativas para assumir a administração da embaixada.
Interlocutores do Itamaraty avaliam que a missão brasileira foi cumprida, especialmente no que diz respeito à proteção de assessores da líder opositora María Corina Machado. Após as eleições venezuelanas de 2024, cinco assessores da opositora foram asilados na embaixada argentina em Caracas, onde permaneceram por mais de 400 dias. Em maio de 2025, eles foram retirados do local em uma operação realizada em parceria com os Estados Unidos.
A decisão do governo brasileiro ocorre em meio a um ambiente de tensões políticas entre Brasília e Buenos Aires. Dias antes, Milei publicou nas redes sociais um trecho de discurso feito durante a 67ª Cúpula do Mercosul, realizada em dezembro, em Foz do Iguaçu, no qual associou Lula ao presidente venezuelano Nicolás Maduro. Na publicação, o argentino incluiu uma imagem de Lula abraçado com Maduro e classificou o regime venezuelano como uma “ditadura atroz e inumana”.
No vídeo compartilhado, Milei defendeu que a ditadura não pode continuar existindo no continente e elogiou os Estados Unidos e o presidente Donald Trump pela pressão exercida sobre a Venezuela. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que forças norte-americanas realizaram uma ação militar no país e capturaram Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores.
As posições de Lula e Milei sobre a crise venezuelana seguem em direções opostas. Enquanto o presidente brasileiro condenou a ação dos Estados Unidos e defende uma solução pacífica para o conflito, o líder argentino celebrou a intervenção norte-americana, aprofundando as divergências entre os dois governos sobre os rumos políticos da região.