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Revista D'Ponta

“O que encanta no bar são as histórias e lembranças. Bar é cultura, é alegria”, diz Lucas Klas, do Boteco da Visconde

Em bate-papo exclusivo com a revista D’Ponta e o portal D’Ponta News, o empresário fala sobre o início do Boteco da Visconde, a rotina no bar, as histórias curiosas, os momentos mais desafiadores, a famosa gastronomia e muito mais

há 14 horas

Michelle de Geus

“O que encanta no bar são as histórias e lembranças. Bar é cultura, é alegria”, diz Lucas Klas, do Boteco da Visconde
FOTO: D'PONTA / GABRIEL RAMOS DE LIMA
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Aos 16 anos, o empresário ponta-grossense Lucas Klas começou a ajudar os pais em uma empresa de gastronomia, onde se apaixonou por trabalhar com comida e atender ao público. Ele trabalhou como repositor de buffet, garçom, barman, caixa e, aos poucos, começou a aprender algumas receitas passadas pelos pais. Há 15 anos, ele decidiu abrir o Boteco da Visconde e conquistou diversos prêmios por seu cardápio diferenciado e atendimento personalizado. Com uma média de 800 clientes por semana, o local se consolidou como um ponto de encontro para quem busca não apenas comida de qualidade, mas também um ambiente acolhedor e repleto de memórias afetivas.

Como foi que você entrou no mundo dos bares?

Meus pais tiveram restaurante em Ponta Grossa por 15 anos e foi lá que eu aprendi a trabalhar e gostar da gastronomia. Eu entrei nesse mundo do boteco por necessidade, já tinha dois filhos pequenos e precisava aumentar a renda dentro de casa.

Você sempre gostou da vida noturna ou aprendeu a gostar depois de abrir o Boteco da Visconde?

Sempre gostei de sair à noite e até hoje faço isso nas minhas folgas com a família. Porém, o Boteco da Visconde é mais voltado para a gastronomia do que a vida noturna, até porque fechamos às 23h30.

Qual é a lembrança mais marcante que você tem do início do bar?

Lembro-me de eu mesmo fabricando as mesas, os bancos, a decoração, pintando as paredes e pensando em cada detalhe. O bar tem identidade própria e isso é muito gratificante para mim. Não foi uma coisa que começou pronta. Aos poucos, o boteco foi ganhando forma e se transformou no que é hoje.

O que mais te encanta e o que mais te cansa na rotina de um dono de boteco?

O que mais me encanta são as histórias e as lembranças. Bar é cultura, é alegria. Antigamente, era difícil ver mulheres e famílias em bar, mas consegui trazer isso para dentro do meu estabelecimento. O que me preocupa é o futuro no que diz respeito à mão de obra. Tenho de começar a treinar pessoas para substituir possíveis aposentadorias, porque uma hora vai acontecer.

Se as paredes do Boteco da Visconde pudessem falar, qual seria a história mais inacreditável que elas contariam?

Elas diriam: “Eu vi como tudo começou, e você venceu. Conseguiu administrar e não deixou a peteca cair, sempre presente e cuidando do seu negócio.”

Já aconteceu alguma história emocionante no bar que você nunca esqueceu?

Muitas. Casais que se conheceram aqui e se casaram; mulheres que estavam grávidas e que hoje vêm com os seus filhos; adolescentes que vinham com os amigos e hoje vêm com os seus filhos. É muito legal.

Existe algum “pedido estranho” de cliente que virou lenda dentro do boteco?

Uma vez fizeram uma aposta: se a pessoa viesse fantasiada de coelho, ganharia uma garrafa de uísque. Era pleno verão e fazia muito calor, mas ela alugou uma fantasia e ganhou a aposta.

Como é lidar com gente de todos os tipos, humores e níveis de álcool toda noite?

Já tive muitos problemas com clientes que não sabem beber. Sempre fui uma pessoa que cuidou da casa e nunca deixou virar bagunça. Aprontou uma vez, não vendo mais. Então, tive que ir podando as pessoas para manter o lugar familiar.

Existe um drinque ou uma comida que define o espírito do Boteco da Visconde?

A bebida é a velha e boa cerveja trincando. O petisco que fez o boteco ficar famoso é o bolinho caipira, que foi campeão no 1º concurso gastronômico que a Prefeitura fez em 2011.

O que o bar te ensinou sobre as pessoas e sobre você mesmo?

Lidar com pessoas não é fácil, mas, graças a Deus, aqui não temos muito problema. A maioria dos clientes já é antiga e se tornou amiga. Como sempre lidei com o público, é mais fácil para mim. Mas quem cai de paraquedas nesse mundo de bares, ou não é do setor, vai sofrer um pouco.

Qual foi o momento mais desafiador da sua trajetória como dono de boteco?

Com certeza foi a pandemia. Se eu não estivesse com as finanças em dia, o resultado teria sido diferente. Mas, pior do que o impacto financeiro, o mais triste foi perder muitos amigos e clientes.

O que você sente quando fecha as portas no fim da noite, depois que o último cliente vai embora?

Sempre sinto gratidão por mais um dia abençoado de trabalho e por ter dado tudo certo. Tenho o meu altar no boteco e sempre deixo uma vela acesa lá. Ao final de cada noite, rezo e agradeço a Deus pelos clientes que vieram à minha casa, pelos funcionários que estão comigo e pela minha família.

Qual é o segredo que transforma um simples chope no Boteco da Visconde em algo tão especial?

A nostalgia do ambiente faz com que as pessoas voltem no tempo quando entram aqui. O atendimento dos garçons, os amigos e a boa gastronomia completam o ambiente.

Conteúdo publicado originalmente na edição 310 da revista D'Ponta

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